"TAPA A TALHA D'ÁGUA PARA NÃO FAZER MAL AOS BRANCOS": CRIMES DE ENVENENAMENTO ASSOCIADOS A ESCRAVAS DOMÉSTICAS NO RIO DE JANEIRO, SÉC XIX

ALEXSANDRA GOMES DE FREITAS

Apresentador(es): ALEXSANDRA GOMES DE FREITAS

Orientador(es): MARIANA DE AGUIAR FERREIRA MUAZE


Área temática: HISTÓRIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC- AF


Resumo

A escravidão doméstica no século XIX no Rio de Janeiro foi muito utilizada tanto pelos grandes proprietários quanto por quem conseguia custear um escravizado para servi-lo, seja no campo ou na cidade. Nesta vertente da escravidão a ambientação do trabalho não se baseava apenas no interior da habitação senhorial, mas também em seu exterior. No entanto, os escravizados domésticos tinham um contato íntimo com a família senhorial e o sentimento de ameaça que sempre existiu por associação da raça, se mostrou latente para alguns senhores. A desconfiança em relação aos escravizados era múltipla e possui um recorte de gênero importante que será o foco deste trabalho, o caráter patriarcal da sociedade impunha uma posição de subordinação às mulheres negras que sofriam inúmeras formas de opressão. As relações sociais da escravizada eram suscetíveis a agressões de diversas ordens e não exclusivamente cometidas pelos senhores mas por qualquer figura masculina (SOUZA,2024). Ademais, a relação entre senhoras e escravas era baseada em rivalidade feminina, ameaça, violência. Às mulheres escravizadas eram associados os mais variados tipos de atos perversos, desde os judicialmente considerados crimes como: homicídio, roubo, e furto até os que eram considerados pela lei costumeira: fuga, inveja, adultério.No entanto, nesta pesquisa serão analisados os casos das escravizadas Miquelina e Isabel que foram acusadas de tentativa de homicídio mesmo quando os indícios não apontavam para elas. Os objetivos propostos são: analisar os adjetivos pejorativos com intenção criminal atribuído a escravizada; compreender quais supostos comportamentos justificam de maneira prática essa associação; A metodologia utilizada se baseou em coleta de dados a partir dos jornais Gazeta de notícias (1875-1956) e Gazeta dos tribunaes (1843-1846). Um banco de dados foi construído com base nesses destaques e a análise contou com apoio teórico. O principal resultado foi a construção de bancos de dados para os jornais Gazeta de notícias (1875-1956), Gazeta dos tribunaes (1843-1846), jornal das famílias (1863-1878), semana ilustrada (1860-1876). Por fim, é possível identificar o sentimento ameaçador tendo sua origem no racismo uma vez que a exemplo dos destaques utilizados nesta amostra as escravizadas não possuíam participação no crime até serem apontadas por pessoas brancas que aparentemente buscavam se livrar da culpa.

Bibliografia

GRAHAM, Sandra Lauderdale. Proteção e obediência: criadas e seus patrões no Rio de Janeiro 1860-1910. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. SARASÚA, Carmem. El servicio doméstico en la formación del mercado de trabajo madrileño, 1758-1868. Madrid: Siglo XXI, 1994. SOUZA, Flávia Fernandes de. Do trabalho de servir ao trabalho remunerado: definindo o serviço doméstico a partir da história (Brasil, Rio de Janeiro, c. 1850 a 1950). História (São Paulo), v. 43, p. e20230008, 2024.

Palavras-chave

escravidão gênero Rio de Janeiro século XIX
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