Orientador(es): MARIANA DE AGUIAR FERREIRA MUAZE
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
A escravidão doméstica no século XIX no Rio de Janeiro foi muito utilizada tanto pelos grandes proprietários quanto por quem conseguia custear um escravizado para servi-lo, seja no campo ou na cidade. Nesta vertente da escravidão a ambientação do trabalho não se baseava apenas no interior da habitação senhorial, mas também em seu exterior. No entanto, os escravizados domésticos tinham um contato íntimo com a família senhorial e o sentimento de ameaça que sempre existiu por associação da raça, se mostrou latente para alguns senhores. A desconfiança em relação aos escravizados era múltipla e possui um recorte de gênero importante que será o foco deste trabalho, o caráter patriarcal da sociedade impunha uma posição de subordinação às mulheres negras que sofriam inúmeras formas de opressão. As relações sociais da escravizada eram suscetíveis a agressões de diversas ordens e não exclusivamente cometidas pelos senhores mas por qualquer figura masculina (SOUZA,2024). Ademais, a relação entre senhoras e escravas era baseada em rivalidade feminina, ameaça, violência. Às mulheres escravizadas eram associados os mais variados tipos de atos perversos, desde os judicialmente considerados crimes como: homicídio, roubo, e furto até os que eram considerados pela lei costumeira: fuga, inveja, adultério.No entanto, nesta pesquisa serão analisados os casos das escravizadas Miquelina e Isabel que foram acusadas de tentativa de homicídio mesmo quando os indícios não apontavam para elas. Os objetivos propostos são: analisar os adjetivos pejorativos com intenção criminal atribuído a escravizada; compreender quais supostos comportamentos justificam de maneira prática essa associação; A metodologia utilizada se baseou em coleta de dados a partir dos jornais Gazeta de notícias (1875-1956) e Gazeta dos tribunaes (1843-1846). Um banco de dados foi construído com base nesses destaques e a análise contou com apoio teórico. O principal resultado foi a construção de bancos de dados para os jornais Gazeta de notícias (1875-1956), Gazeta dos tribunaes (1843-1846), jornal das famílias (1863-1878), semana ilustrada (1860-1876). Por fim, é possível identificar o sentimento ameaçador tendo sua origem no racismo uma vez que a exemplo dos destaques utilizados nesta amostra as escravizadas não possuíam participação no crime até serem apontadas por pessoas brancas que aparentemente buscavam se livrar da culpa.
GRAHAM, Sandra Lauderdale. Proteção e obediência: criadas e seus patrões no Rio de Janeiro 1860-1910. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. SARASÚA, Carmem. El servicio doméstico en la formación del mercado de trabajo madrileño, 1758-1868. Madrid: Siglo XXI, 1994. SOUZA, Flávia Fernandes de. Do trabalho de servir ao trabalho remunerado: definindo o serviço doméstico a partir da história (Brasil, Rio de Janeiro, c. 1850 a 1950). História (São Paulo), v. 43, p. e20230008, 2024.