Orientador(es): LUIZ FERNANDO RODRIGUES JÚNIOR
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
As cirurgias de aneurisma de arco aórtico (CAAA) são um grande desafio pela alta morbimortalidade, especialmente pelo risco de complicações neurológicas associadas à parada circulatória (PC). Nesse contexto, a hipotermia surge como uma forma de proteção cerebral por reduzir a demanda energética e o metabolismo, evitando a hipóxia e estabilizando o ambiente tecidual durante o procedimento. Desse modo, diferentes graus de hipotermia [profunda (<20°C), moderada (20,1-28°C) e leve (>28°C)], têm sido aplicados a fim de reduzir o impacto dessas cirurgias, geralmente associados à perfusão cerebral seletiva. Apesar dos avanços, não há consenso sobre a temperatura ideal que maximize a proteção e minimize os efeitos adversos sistêmicos da hipotermia. Sendo assim, o objetivo do presente estudo é avaliar o impacto do grau de hipotermia com os resultados pós operatórios obtidos em CAAA ao longo dos anos em um hospital público quaternário. Trata-se de um estudo retrospectivo com análise descritiva no qual foram elegíveis pacientes submetidos a CAAA entre os anos de 2013-2022 sendo incluídos os pacientes com idade ≥ 18 anos, com o uso de hipotermia como estratégia de proteção cerebral. Os dados coletados dos prontuários hospitalares foram os sociodemográficos [idade (expresso em média e desvio padrão), sexo, raça], antropométrico [Índice de Massa Corporal- IMC (expresso em mediana e intervalo interquartil- IQR)], variáveis pré operatórias (presença de comorbidades), além de detalhamentos cirúrgicos como: técnica cirúrgica utilizada, técnica de proteção cerebral, menor temperatura durante PC (expressa em mediana e IQR), tempo de recuperação anestésica e de suporte ventilatório (expressos em mediana e IQR). A sobrevida e reflexos neurológicos foram considerados como desfechos primários, relacionando esses dados com o grau de hipotermia utilizado. Ao todo foram incluídos 86 pacientes, sendo 84,9% com o uso de hipotermia moderada. A principal técnica de proteção cerebral durante a PC foi a PCSA com 87,2% sendo a maior parte quando utilizada a hipotermia moderada (87,6%). O tempo de recuperação anestésica (p=0.004) e o tempo de suporte ventilatório (p=0.014), foram menores no grupo de hipotermia moderada (12.0 [3.2-17.7] e 15.1 [8.9-24.2] respectivamente) em relação a hipotermia profunda (24.2 [13.7-39.5] e 40.2 [13.8-102.1] respectivamente). No geral, a agitação (39,3%) seguido de confusão/desorientação (29,8%) e delírio (21,4%) foram as complicações neurológicas mais frequentes, contudo, não houve diferenças significativas entre os graus de hipotermia utilizados. A taxa total de óbito foi de 25,6% sendo a maior parte após 30 dias do procedimento cirúrgico durante a internação (90,9%). Tais resultados sugerem que a hipotermia moderada poderia ser melhor do que a profunda para proteção cerebral após CAAA, contudo, há necessidade de outros estudos a fim de esclarecer o impacto da temperatura nas funções neurológicas e desfechos clínicos de médio a longo prazo.
ENGLUM, B. R. et al. Hypothermia and cerebral protection strategies in aortic arch surgery: a comparative effectiveness analysis from the STS Adult Cardiac Surgery Database. European Journal of Cardio-Thoracic Surgery, v. 52, n. 3, p. 492-498, set. 2017. DOI: https://doi.org/10.1093/ejcts/ezx133. PREVENTZA, O. et al. The impact of temperature in aortic arch surgery patients receiving antegrade cerebral perfusion for >30 minutes: how relevant is it really? The Journal of Thoracic and Cardiovascular Surgery, v. 153, n. 4, p. 767-776, abr. 2017. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jtcvs.2016.11.059 . Khaladj, N., et al. (2012). Hypothermia in aortic arch surgery: The dilemma between lower body protection and neurological outcomes. The European Journal of Cardio-Thoracic Surgery, 42(4), 550-557.