ZOOPLÂNCTON EM UMA LAGOA URBANA COSTEIRA MULTI-IMPACTADA: INTERAÇÃO COM FITOPLÂNCTON E BIOINDICAÇÃO

MANOELA DOS SANTOS MOREIRA

Apresentador(es): MANOELA DOS SANTOS MOREIRA

Orientador(es): CHRISTINA WYSS CASTELO BRANCO


Área temática: BIODIVERSIDADE

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Lagoas costeiras são ambientes produtivos e com grande influência antrópica. A Lagoa Rodrigo de Freitas (LRF) possui histórico de influência humana e eutrofização, conectando-se ao mar e recebendo afluentes. A LRF possui registros de táxons indicadores, evidenciando o potencial de bioindicação do plâncton. Mudanças nas condições locais já foram relacionadas com alterações no fitoplâncton, influência marinha e aporte de esgoto e rios. O objetivo do trabalho é avaliar táxons do plâncton e índices de bioindicação do zooplâncton como potenciais indicadores de qualidade de água. H1: táxons de tecamebas e rotíferos são indicadores do aporte de rios e variações no oxigênio dissolvido e salinidade. H2: há relação positiva entre abundância do zooplâncton e picocianobactérias dominantes. H3: índices baseados no zooplâncton como indicador são aplicáveis na avaliação da LRF e sugeridos em seu biomonitoramento. Foram realizadas coletas na LRF em 11 pontos nos períodos chuvoso (dez/2021) e seco (jul/2022). Para o zooplâncton, 20L de água foram filtrados em rede de 68µm. Para o fitoplâncton, foram feitas coletas brutas com frascos de 100mL. O zooplâncton foi fixado com 4% de formol e o fitoplâncton com lugol neutro. As análises quantitativas ocorreram em microscópios óptico e invertido, em câmaras de Sedgewick-Rafter (zooplâncton) e sedimentação (fitoplâncton). Índices de bioindicação foram calculados através da razão entre as densidades sazonais e espaciais e presença de táxons indicadores. Análises de correlação entre as comunidades foram feitas no software R Studio. Na chuva, maior riqueza de tecamebas ocorreu no P1 (área de aporte fluvial). No P5 (maior oxigênio dissolvido) houve maior riqueza de rotíferos, e o P2 obteve a maior densidade do grupo. Na seca, P10 obteve a maior riqueza e densidade de tecamebas. P9 e P6 foram os únicos com rotíferos, sendo P6 com maior densidade. Picocianobactérias apresentaram correlações fracas com o zooplâncton na chuva (maiores com protistas e rotíferos). Na seca, não houve correlações. O índice de bioindicação i) Calanoida/Cyclopoida, mostrou Calanoida com até 86% de densidade relativa na chuva e 100% na seca. No índice ii) rotíferos/microcrustáceos, microcrustáceos apresentaram mais de 99% na chuva, e de 50% na seca. No índice iii) presença de ciliados e tecamebas indicadores de condições ambientais, foram encontrados ciliados Strobilidium sp. (indicador da influência de águas paradas) e tecamebas Centropyxis e Galeripora (associadas a mudanças de temperatura, matéria orgânica, etc.). O índice iv) holoplâncton/meroplâncton mostrou o holoplâncton acima de 50% na chuva, e de 80% na seca. A análise sazonal e espacial das comunidades mostra homogeneidade quanto à ocorrência de táxons e heterogeneidade quanto às densidades. A densidade de alguns táxons, relacionadas às condições locais, pode servir como ferramenta no estudo do zooplâncton como bioindicador, além de mostrar resiliência aos impactos no ecossistema.

Bibliografia

Coelho, V. Lagoa Rodrigo de Freitas: uma discussão centenária. 1ª Ed., Cidade Viva Editora, Rio de Janeiro. 239p., 2016. Menezes, M. A.; Branco, S.; Guimarães, R. R.; Sousa, V. L. M.; Alves-de-Souza, C.; Silva, W. J.; Domingos, P.; Gômara, G. Composição Florística de Cianobactérias e microalgas do Canal do Piraquê, Lagoa Rodrigo de Freitas, Sudeste do Brasil. Oecologia Australis 16(3): 421-440, 2012. https://doi.org/10.4257/oeco.2012.1603.08. Soares, M. F.; Domingos, P.; Soares, F. F. L.; Fidalgo, L. 10 Anos de monitoramento da qualidade ambiental das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas. Oecologia Australis 16(3): 581-614, 2012. http://dx.doi.org/10.4257/oeco.2012.1603.15.

Palavras-chave

Plâncton Lagoas urbanas Ecossistemas costeiros Biodiversidade Bioindicação
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