Orientador(es): MARIA RIBEIRO SANTOS MORARD
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
Introdução: A traqueostomia é uma abertura cirúrgica da parede anterior da traqueia que permite comunicação entre a traqueia e o meio aéreo externo e, desse modo, a ventilação é realizada. É um dos procedimentos mais realizados nos centros de terapia intensiva em indivíduos com insuficiência respiratória aguda que necessitam de ventilação mecânica prolongada. Há dois tipos de traqueostomia: a cirúrgica e a percutânea. A percutânea é um procedimento minimamente invasivo realizado à beira-leito que pode ser guiado por broncoscopia ou por ultrassonografia. Quando comparada à traqueostomia cirúrgica, é realizada em tempo menor e apresenta menores taxas de complicações pós-operatórias. Objetivo: Descrever o perfil, as indicações e tempo de uso da traqueostomia até a decanulação, os tipos de complicações intraoperatórias e pós-operatórias dos pacientes submetidos à traqueostomia percutânea guiada por broncoscopia. Metodologia: Estudo descritivo, retrospectivo e observacional de pacientes submetidos à traqueostomia percutânea guiada por broncoscopia no Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, durante o período de março a julho de 2019. Os critérios de inclusão para realização da traqueostomia foram pacientes internados em unidade de terapia intensiva com indicação de traqueostomia e foram excluídos os pacientes com risco elevado (obesos, menores de 16 anos, anatomia cervical desfavorável, tumor cervical anterior, discrasias sanguíneas e traqueostomia prévia). Os dados foram coletados dos livros de registro cirúrgico e de prontuários médicos. Variáveis analisadas: idade, sexo, indicações, tempo de uso e complicações da traqueostomia. Técnica: paciente em decúbito dorsal com hiperextensão cervical, seguida da colocação do videobroncoscópio pelo tubo endotraqueal para visualizar a punção percutânea cervical no espaço entre o segundo e terceiro anel traqueal. Inserção do guia seguido da cânula dilatadora até a colocação da cânula de traqueostomia sob visão endotraqueal. Resultados: A traqueostomia foi realizada em cinco pacientes. Do total, três eram do sexo feminino e dois do sexo masculino. A idade variou de 63 a 89 anos (média de 77 anos). Para todos, a indicação de traqueostomia foi a utilização de ventilação mecânica prolongada. O tempo de uso de traqueostomia até a decanulação variou de 5 a 74 dias (média de 30,6 dias). Não houve complicações intraoperatórias. Quanto às complicações pós-operatórias, dois pacientes apresentaram fuga aérea e ruptura da continuidade do balonete, o que requereu troca da cânula. Dois apresentaram sangramento através do óstio da traqueostomia e um paciente apresentou estenose subglótica total. Conclusões: A traqueostomia percutânea guiada por broncoscopia foi realizada em pacientes idosos com necessidade de utilização de ventilação mecânica prolongada. O procedimento foi seguro e sem complicações intraoperatórias. As complicações pós-operatórias e o tempo de uso da traqueostomia apresentados estão de acordo com a literatura.
HASHIMOTO, Daniel A.; AXTELL, Andrea L.; AUCHINCLOSS, Hugh G. Percutaneous Tracheostomy. New England Journal of Medicine, v. 383, n. 20, nov. 2020. DELANEY, Anthony; BAGSHAW, Sean M.; NALOS, Marek. Percutaneous dilatational tracheostomy versus surgical tracheostomy in critically ill patients: a systematic review and meta-analysis. Critical Care, v. 10, n. 2, p. R55, 2006. MELLONI, G. et al. Surgical tracheostomy versus percutaneous dilatational tracheostomy. A prospective-randomized study with long-term follow-up. The Journal of cardiovascular surgery, v. 43, n. 1, p. 113–21, fev. 2002.