Orientador(es): JOSE FERNANDO GUEDES CORREA
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A lesão traumática do plexo braquial (LTPB), frequentemente associada a acidentes de alta energia, como os de motocicleta, pode acarretar em perdas funcionais significativas nos membros superiores, impactando negativamente a qualidade de vida e capacidade produtiva dos indivíduos. A reinervação com os nervos peitorais pode ser utilizada para recuperação da força nos dois principais movimentos do membro superior, que são a flexão do antebraço e a abdução do braço. A literatura atual sobre as técnicas cirúrgicas para lesões por avulsão total do plexo braquial é limitada, especialmente no que tange à transferência contralateral dos nervos peitorais lateral e medial. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo descrever a anatomia cirúrgica da transferência dos nervos peitorais medial e lateral do lado saudável para o lado lesionado, visando aprimorar a cirurgia de reconstrução nervosa em casos de lesões por avulsão total do plexo braquial, focando na relação entre as estruturas de interesse e outros marcos anatômicos. A metodologia empregada consistiu em um estudo anatômico com foco na aplicação cirúrgica dos dados obtidos. Foram dissecados seis tóraxes de cadáveres, totalizando a análise de vinte nervos peitorais, no Laboratório de Anatomia do Instituto Biomédico da UNIRIO. A exposição dos elementos neurais de interesse foi realizada utilizando técnicas de exposição cirúrgica clássicas. A identificação dos locais de análise e dos ramos dos nervos foi guiada por parâmetros ósseos, musculares e outras estruturas anatômicas relevantes. As distâncias entre os nervos peitorais e os nervos musculocutâneo e axilar foram mensuradas com o auxílio de um paquímetro digital. A dissecção foi conduzida com tesoura e pinça anatômica e a documentação fotográfica foi realizada com uma câmera digital. Os dados coletados foram organizados e tabelados utilizando os programas Microsoft Word e Excel. Como resultado, em todas as peças dissecadas, os nervos peitorais apresentaram-se organizados em três ramos (superior, médio e inferior), conectados por uma alça nervosa entre os ramos médio e inferior. Os ramos superior e médio, tradicionalmente agrupados como nervo peitoral lateral, originaram-se do fascículo lateral, embora, em alguns casos, tenham tido origem mais proximal, como na divisão anterior. O ramo inferior (nervo peitoral medial) teve origem no fascículo medial, mas também pôde ser observada origens mais proximais no plexo. Os ramos superior e médio emergiram na borda lateral da artéria axilar, e o ramo inferior, na borda medial. O ramo médio, em todos os casos, acompanhou o ramo peitoral da artéria toracoacromial até o músculo peitoral maior. Em alguns casos o nervo peitoral medial perfura o músculo peitoral menor, enquanto em outros ele passou pela borda lateral do peitoral menor para inervar o peitoral maior. As distâncias médias do nervo axilar contralateral até os ramos superior, médio e inferior foram, respectivamente, 24,002 cm; 28,334 cm; 30,454 cm. A conclusão é que a transferência contralateral dos nervos peitorais é anatomicamente viável, desde que se utilize um enxerto de comprimento adequado. Espera-se que estes achados contribuam para uma compreensão mais aprofundada da anatomia cirúrgica dos nervos peitorais, aprimorando as técnicas de reinervação contralateral, estabelecendo marcos anatômicos claros e otimizando a estimativa do tamanho do enxerto.
1. PEJKOVA, S. et al. Brachial Plexus Injuries – Review of the Anatomy and the Treatment Options. PRILOZI, v. 42, n. 1, p. 91–103, 1 abr. 2021. 2. YAVARI, M. et al. Contralateral medial pectoral nerve transfer with free gracilis muscle transfer in old brachial plexus palsy. Journal of Surgical Research, v. 231, p. 94–98, 1 nov. 2018. 3. DAVID, S. et al. Transfer of Pectoral Nerves to Suprascapular and Axillary Nerves: An Anatomic Feasibility Study. The Journal of Hand Surgery, v. 35, n. 1, p. 92–96, jan. 2010.