Orientador(es): CLAUDIA BRAGA DE ANDRADE
Área temática: EDUCAÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Como moradora da Baixada Fluminense, cheguei à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) carregando as marcas de um território historicamente atravessado por desigualdades sociais, pela ausência do Estado e por estigmas que muitas vezes invisibilizam as potências de quem vive ali. O primeiro contato com a Zona Sul do Rio, onde se localiza o campus, marcou também o início de uma série de deslocamentos físicos, simbólicos e subjetivos que passaram a atravessar minha vivência acadêmica. A construção da pesquisa surgiu da necessidade de mapear outros estudantes da UNIRIO oriundos da Baixada e investigar as relações entre território, pertencimento e formação no ensino superior, a partir de suas próprias experiências. O estudo teve como objetivos: compreender como estudantes da Baixada constroem seus sentidos de pertencimento na universidade; identificar desafios relacionados ao deslocamento cotidiano, à saúde mental e à permanência; e analisar em que medida a instituição reconhece - ou silencia - os marcadores territoriais e sociais que esses sujeitos carregam. Além disso, buscou-se valorizar a produção de conhecimento a partir das vivências locais. Em um primeiro momento, a pesquisa foi desenvolvida com base em uma abordagem teórica e metodológica voltada à discussão sobre a formação histórico-social da Baixada Fluminense e os conceitos de território, territorialidade, laço social e pertencimento. Em seguida, realizou-se uma investigação qualitativa por meio de um formulário on-line, com perguntas abertas e fechadas sobre deslocamento, permanência e reconhecimento no espaço acadêmico. O instrumento foi divulgado nas redes sociais e nos prédios da universidade, reunindo 83 respostas. Os resultados evidenciam que estudantes da Baixada compartilham vivências marcadas por longos trajetos, custos elevados e a constante necessidade de conciliar estudo, trabalho e vida familiar. Ao mesmo tempo, destacam a existência de uma rede de apoio entre pares, que fortalece vínculos de solidariedade e pertencimento. Também ficou evidente que a universidade, em muitos momentos, não reconhece de forma efetiva as especificidades territoriais desses estudantes, reforçando sentimentos de invisibilidade e deslocamento. Conclui-se que ser estudante da Baixada Fluminense em uma universidade situada na Zona Sul do Rio de Janeiro significa transitar entre realidades sociais distintas, enfrentando barreiras, mas também ressignificando lugares e identidades. O pertencimento acadêmico, portanto, não se dá apenas pela inserção institucional, mas pela possibilidade de reconhecer-se e ser reconhecido em sua totalidade, incluindo a marca territorial.
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