Orientador(es): CLAUDIA BRAGA DE ANDRADE
Área temática: EDUCAÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O adoecimento psíquico de jovens brasileiros é hoje uma preocupação crescente que ronda a sociedade, a mídia e as instituições acadêmicas. A pesquisa realizada pela Andifes mostrou o expressivo aumento do adoecimento psíquico dos universitários onde, 83,05% relatam dificuldades emocionais no percurso acadêmico, e 52,8% já considerou abandonar os estudos. Dificuldades financeiras, excesso de tarefas acadêmicas, longo tempo de deslocamento, associados a precarização das universidades e as às políticas neoliberais, fragilizam a experiência acadêmica e impõem pressão por desempenho. Tais fatores comprometem a universidade como espaço de futuro e tornam urgente compreender seus impactos na inserção, permanência e pertencimento estudantil. A pesquisa busca investigar e refletir sobre o mal-estar na universidade, mais especificamente sobre o agravamento do sofrimento psíquico estudantil no contexto neoliberal e também pretende estudar e analisar os efeitos das intervenções realizadas por meio dos dispositivos de escuta coletivos no acolhimento dos estudantes na UNIRIO, a partir da base de dados qualitativos construída sobre a identificação dos modos e índices de mal-estar e sofrimento psíquico que acometem estudantes universitários e promover estratégias de fortalecimento dos laços sociais com a universidade. O trabalho foi desenvolvido a partir de leituras e discussões acerca da bibliografia do projeto e do levantamento das pesquisas dos órgãos oficiais e acadêmicas. Sustentados pelo paradigma da pesquisa-intervenção, privilegiando as intervenções no coletivo, escutamos através de debates, rodas de conversa e disciplinas, relatos de estudantes, seguindo o protocolo aprovado pelo Comitê de Ética. As narrativas foram identificadas e categorizadas a partir da leitura das crônicas sobre os espaços de escuta coletiva criados pelo projeto. Através das discussões realizadas nesses encontros coletivos, escutamos relatos marcados pelo esgarçamento dos laços com a universidade que iniciam no ingresso e percorrem toda trajetória do estudante. As falas evidenciam, sobretudo, o mal-estar dos alunos por não conseguirem cumprir as “metas da Universidade”, a angústia pelo que chamam de “baixa-estima acadêmica”, o não pertencimento institucional, dificuldades em conciliar a vida acadêmica com trabalho e a sensação de nunca ser “suficiente para dar conta das demandas”. Foram identificados então, cinco eixos disparadores do mal-estar: Ingresso na Universidade; Pertencimento; Permanência; Medo, desempenho e pressão; e Relação com a família. Essas dimensões revelaram que a universidade ampliou o acesso, mas não se preparou para receber esse público que vem se estabelecendo de forma precária, desde o início das políticas de cotas. Apesar dos desafios, a universidade ocupa um lugar importante na vida dos sujeitos, sendo potente espaço para construção de vínculos e elaboração de estratégias de enfrentamento às tentativas de controle e silenciamento da dimensão subjetiva.
ANDRADE, C. B. Laço social e juventude: escutando o mal-estar na Universidade. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 25 (2023). - ISSN 1676-2592. (qualis A1); DOI: 10.20396/etd.v25i00.8667951. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8667951 BROIDE,Jorge; BROIDE,Emília Estivalet. A psicanálise em situações sociais críticas: metodologia clínica e intervenções. São Paulo: Escuta, 2016. MAIA, H. Neoliberalismo e Sofrimento Psíquico: O Mal-Estar nas Universidades. Recife: Ruptura, 2022.