Orientador(es): CLARISSE TOSCANO DE ARAUJO GURGEL
Área temática: CIÊNCIAS SOCIAIS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Este trabalho analisa a formação do lulismo como fenômeno político, considerando a criação do Partido dos Trabalhadores (PT), sua relação com a classe trabalhadora e a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva como liderança política nacional. Baseando-se em Mansur, Vieira Pinto e Gurgel, investiga-se como o prestígio de Lula deslocou parte da identidade política da militância do petismo para uma perspectiva personalista. O PT, fundado em 1980, nasceu como partido de massas e de frente, ligado a sindicatos e movimentos sociais, com projeto de transformação social. Lula emergiu como liderança, mas sua eleição, em 2003, exigiu concessões a setores econômicos e políticos, promovendo a metamorfose da estratégia democrático-popular petista. O lulismo sustenta-se em políticas sociais, como o Bolsa Família, e na relação direta entre Lula e a população, sem fortalecer necessariamente organizações coletivas ou engajamento político crítico. A adesão popular pode ser compreendida pela “consciência ingênua”, caracterizada pela não inclusão dos fatores objetivos que formam a realidade, enquanto a consciência crítica exige reflexão sobre estruturas sociais e ação transformadora. Assim, o lulismo combina inclusão social e centralidade do carisma, mas também personaliza a política e reforça dependência simbólica. O estudo oferece subsídios para compreender o passado recente da política brasileira e os desafios de uma democracia participativa e crítica, no sistema representativo democrático, de forma a contribuir para os debates e desafios em torno da revolução brasileira.
GURGEL, Cláudio. Estrelas e borboletas: origens e questões de um partido a caminho do poder. Rio de Janeiro: Papagaio, 1989. MANSUR, Isabel. Corda bamba: o lulismo como metamorfose e realização da estratégia democrático-popular. Marília: Lutas Anticapital, 2021. VIEIRA PINTO, Álvaro. Consciência e realidade nacional. Volume I: A consciência ingênua. Rio de Janeiro: Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, 1960.