Orientador(es): THAÍS DA SILVA FERREIRA
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A doença inflamatória intestinal (DII) constitui um grupo de condições crônicas cuja atividade inflamatória, principalmente no trato gastrointestinal, pode gerar sintomas que impactam negativamente a qualidade de vida. Estratégias de manejo integradas são necessárias e a alimentação desempenha papel central. Os alimentos ultraprocessados (AUP) são formulações de alimentos e bebidas feitas de sal, açúcar, gorduras, substâncias derivadas de alimentos e aditivos alimentares, componentes previamente relacionados a queixas gastrointestinais (GI) na DII. O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de sintomas gastrointestinais e sua associação com o consumo de AUP em indivíduos com DII em acompanhamento ambulatorial. Trata-se de estudo observacional transversal, aprovado por comitê de ética, conduzido com adultos e idosos, de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de DII, atendidos no ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Foram avaliados estado nutricional pelo índice de massa corporal (IMC) e consumo total de AUP e seus principais grupos no dia anterior (≥ 5 grupos/dia correspondendo a elevado consumo, conforme VIGITEL), por recordatório de 24 horas (método Multiple-Pass). Para investigar ocorrência e intensidade de sintomas GI, foi utilizada escala validada autoaplicável Gastrointestinal Symptom Rating Scale (escores variando de 1, nenhum desconforto/nenhuma vez a 7, desconforto muito forte/muitíssimas vezes). Os dados foram tabulados no Excel e analisados no Jamovi para análise descritiva das variáveis e da correlação de Spearman (p<0,05 considerado significativo). Foram avaliados 46 voluntários, média de idade de 35 anos, IMC=26,0±5,4, e distribuição equilibrada entre os sexos. Os sintomas com maiores escores médios foram flatulência (4,5±1,6), sensação de esvaziamento incompleto do intestino (3,2±2,0) e ronco na barriga (3,0±1,9). A intensidade moderada a grave foi mais frequente para flatulência (50%), ronco na barriga e sensação de esvaziamento incompleto do intestino (26% cada). A média diária de consumo total de AUP foi de 2,3±1,9, sendo de 1,8±1,4 grupos/dia. O grupo de AUP mais consumido foi de refrigerantes (29,4%). Apenas 5,88% da amostra tinha consumo alto de AUP. Observou-se correlação direta do consumo de AUP com constipação intestinal (R=0,31; p= 0,04), assim como com fezes duras (com grupos de AUP, R=0,32, p=0,03; e com total de AUP, R=0,335, p=0,02). Entre indivíduos com DII em acompanhamento ambulatorial, foi observada maior ocorrência e intensidade de flatulência, sensação de esvaziamento incompleto do intestino e ronco na barriga. Apesar da baixa frequência de indivíduos com alto consumo de AUP, a ingestão desses alimentos foi correlacionada à ocorrência de constipação intestinal e presença de fezes duras. Tais resultados sugerem que intervenções nutricionais priorizando restrição de AUP podem contribuir para o manejo de sintomas GI.
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