INVESTIGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SINTOMAS GASTROINTESTINAIS E SUA ASSOCIAÇÃO COM O CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS EM PESSOAS COM DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL.

GIOVANNA COSENTINO GARCIA, LETICIA VILELA SZABO, STEPHANIE OLIVEIRA DE CARVALHO, MONICA DA SILVA AMÂNCIO MARINHO, FABRICIA JUNQUEIRA DAS NEVES, THAÍS DA SILVA FERREIRA

Apresentador(es): GIOVANNA COSENTINO GARCIA

Orientador(es): THAÍS DA SILVA FERREIRA


Área temática: NUTRIÇÃO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A doença inflamatória intestinal (DII) constitui um grupo de condições crônicas cuja atividade inflamatória, principalmente no trato gastrointestinal, pode gerar sintomas que impactam negativamente a qualidade de vida. Estratégias de manejo integradas são necessárias e a alimentação desempenha papel central. Os alimentos ultraprocessados (AUP) são formulações de alimentos e bebidas feitas de sal, açúcar, gorduras, substâncias derivadas de alimentos e aditivos alimentares, componentes previamente relacionados a queixas gastrointestinais (GI) na DII. O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de sintomas gastrointestinais e sua associação com o consumo de AUP em indivíduos com DII em acompanhamento ambulatorial. Trata-se de estudo observacional transversal, aprovado por comitê de ética, conduzido com adultos e idosos, de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de DII, atendidos no ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Foram avaliados estado nutricional pelo índice de massa corporal (IMC) e consumo total de AUP e seus principais grupos no dia anterior (≥ 5 grupos/dia correspondendo a elevado consumo, conforme VIGITEL), por recordatório de 24 horas (método Multiple-Pass). Para investigar ocorrência e intensidade de sintomas GI, foi utilizada escala validada autoaplicável Gastrointestinal Symptom Rating Scale (escores variando de 1, nenhum desconforto/nenhuma vez a 7, desconforto muito forte/muitíssimas vezes). Os dados foram tabulados no Excel e analisados no Jamovi para análise descritiva das variáveis e da correlação de Spearman (p<0,05 considerado significativo). Foram avaliados 46 voluntários, média de idade de 35 anos, IMC=26,0±5,4, e distribuição equilibrada entre os sexos. Os sintomas com maiores escores médios foram flatulência (4,5±1,6), sensação de esvaziamento incompleto do intestino (3,2±2,0) e ronco na barriga (3,0±1,9). A intensidade moderada a grave foi mais frequente para flatulência (50%), ronco na barriga e sensação de esvaziamento incompleto do intestino (26% cada). A média diária de consumo total de AUP foi de 2,3±1,9, sendo de 1,8±1,4 grupos/dia. O grupo de AUP mais consumido foi de refrigerantes (29,4%). Apenas 5,88% da amostra tinha consumo alto de AUP. Observou-se correlação direta do consumo de AUP com constipação intestinal (R=0,31; p= 0,04), assim como com fezes duras (com grupos de AUP, R=0,32, p=0,03; e com total de AUP, R=0,335, p=0,02). Entre indivíduos com DII em acompanhamento ambulatorial, foi observada maior ocorrência e intensidade de flatulência, sensação de esvaziamento incompleto do intestino e ronco na barriga. Apesar da baixa frequência de indivíduos com alto consumo de AUP, a ingestão desses alimentos foi correlacionada à ocorrência de constipação intestinal e presença de fezes duras. Tais resultados sugerem que intervenções nutricionais priorizando restrição de AUP podem contribuir para o manejo de sintomas GI.

Bibliografia

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Palavras-chave

Doença inflamatória intestinal dieta inflamação estado nutricional composição corporal
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