Orientador(es): KARINA DOS SANTOS
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
A retenção de peso pós-parto (RPPP) representa impacto para a saúde da mulher, pois pode contribuir para o desenvolvimento de obesidade e doenças crônicas ao longo da vida. Considerando o aumento do excesso de peso em mulheres em idade reprodutiva, este estudo buscou avaliar o estado nutricional e a prevalência de retenção de peso no primeiro ano pós-parto em mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de um estudo observacional transversal realizado em um hospital universitário no Rio de Janeiro. As participantes foram convidadas nos ambulatórios de obstetrícia e pediatria da unidade e incluídas mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Foram elegíveis mulheres adultas, no primeiro ano pós-parto, com gestação única e bebê nascido vivo. A coleta de dados foi realizada entre março/2024 e junho/2025, por meio de entrevistas realizadas por estudantes treinados, contendo dados sociodemográficos, clínicos, obstétricos, antropométricos, dietéticos, hábitos de vida e amamentação. Peso e estatura atuais foram aferidos, enquanto o peso pré-gestacional foi autorreferido. A RPPP foi a diferença positiva entre peso atual e pré-gestacional. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado (peso/altura²) para classificação do estado nutricional. Foi conduzida uma análise exploratória descritiva para apresentação de resultados parciais. O projeto obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa - CEP/HUGG, CAAE 70713423.8.0000.5258. A amostra de 135 mulheres teve mediana de 29 anos de idade, predominando mulheres pardas (43%), com ensino médio completo (74,8%) e residentes na região metropolitana do Rio de Janeiro (93,2%). A maioria vivia com companheiro (82,2%) e tinha renda per capita em torno de meio salário mínimo. Quanto às características obstétricas, observou-se proporção semelhante de cesáreas (51,1%) e partos normais, e a maioria relatou ter amamentado por algum período ou estar amamentando (86,7%). Embora todas as participantes tenham realizado pré-natal, apenas 32,6% teve acompanhamento nutricional durante a gestação e no 8,1% no período pós-parto. Intercorrências obstétricas foram frequentes, com destaque para diabetes mellitus gestacional (70,4%) e síndromes hipertensivas (68,9%). Na avaliação antropométrica, 61,5% das mulheres apresentavam sobrepeso ou obesidade antes da gestação, percentual que aumentou para 70,4% no pós-parto. A prevalência de RPPP foi de 61,8%, com mediana de 5,95 kg e alta prevalência de ganho de peso gestacional excessivo (64,7%). Os resultados demonstram alta prevalência de RPPP e de excesso de peso nesse grupo de mulheres. Observa-se a necessidade de ampliação do acompanhamento nutricional no pré-natal e no período pós-parto, com estratégias de prevenção e promoção da saúde materna, além de investigações que aprofundem a análise dos fatores de risco e avaliem intervenções que possam reduzir a RPPP e prevenir a obesidade em mulheres no período reprodutivo.
MARGRIET BIJLHOLT et al. Evolution of Postpartum Weight and Body Composition after Excessive Gestational Weight Gain: The Role of Lifestyle Behaviors—Data from the INTER-ACT Control Group. v. 18, n. 12, p. 6344–6344, 11 jun. 2021. MEYER, D. et al. How does gestational weight gain influence short‐ and long‐term postpartum weight retention? An updated systematic review and meta‐analysis. Obesity Reviews, 14 jan. 2024.