Orientador(es): THAIS DA SILVA FERREIRA, FABRICIA JUNQUEIRA DAS NEVES
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A doença inflamatória intestinal (DII) é um processo inflamatório crônico, idiopático, que acomete o trato gastrointestinal e pode se manifestar como: doença de Crohn (DC) e colite ulcerativa (CU). Apresenta crescente incidência no Brasil, sendo uma significativa causa de morbidade e responsável por elevados custos ao sistema de saúde. O estado nutricional dos portadores é um aspecto muito relevante. E, a bioimpedância elétrica (BIA) é um método simples, que possibilita avaliação de composição corporal, fornecendo parâmetros importantes, como o ângulo de fase (AF). Este, reflete a integridade das membranas celulares e a quantidade de massa celular, sendo considerado fator prognóstico e preditivo em diversas doenças. Porém, por sofrer influência de variáveis como idade e sexo, surgiu a necessidade de desenvolver o ângulo de fase padronizado (AFP), que considera essas diferenças e possibilita análises mais precisas. O objetivo do estudo foi analisar o valor de AFP de indivíduos atendidos pela nutrição no ambulatório de Gastroenterologia do HUGG-Unirio/Ebserh e sua possível relação com fatores demográficos, clínicos, laboratoriais, antropométricos e de composição corporal. Trata-se de um estudo transversal e observacional realizado com indivíduos portadores de DII entre outubro de 2016 e maio de 2025. Foram incluídos participantes com 19 anos ou mais e que possuíam dados de BIA na primeira consulta nutricional. Foram excluídos indivíduos sem diagnóstico de DII. Os dados foram coletados durante o atendimento nutricional através do prontuário médico, entrevista com o voluntário, avaliação antropométrica e realização de BIA. O AFP foi determinado através da fórmula (AF medido - AF médio (para idade e sexo)) / desvio-padrão da população (para idade e sexo.) Os participantes foram divididos em dois grupos, AFP reduzido (AFPr) e AFP adequado (AFPa), utilizando o ponto de corte < -1,65 e ≥ - 1,65, respectivamente. O nível de significância estatística adotado foi de p < 0,05. Foram incluídos no estudo 131 participantes, sendo 23 (17,6%) alocados no grupo AFPr e 108 (82,4%) no AFPa. Foi observado predomínio de indivíduos mais novos no grupo AFPr (p=0,045), portadores de DC (p=0,013), com menor IMC (p<0,001), água intracelular (p=0,013) e perímetro de cintura (p=0,003) e panturrilha (p=0,005), e com maior massa magra (p=0,011). Não houve diferença significativa quanto aos indicadores inflamatórios: proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação. Foi observada correlação significativa positiva fraca entre o AFP e idade (rho=0,225), IMC (rho=0,353), massa gorda (rho= 0,188), massa celular corporal (rho=0,381), água intracelular (rho=0,305) e perímetro de cintura (rho=0,264) e panturrilha (rho=0,250). Além de uma correlação significativa negativa moderada com percentual de massa extracelular (rho=-0,425). Numa amostra de indivíduos portadores de DII, o AFP estava reduzido em quase 18% dos participantes e se correlacionou com parâmetros sociodemográfico, antropométricos e de composição corporal.
BARBOSA-SILVA, M. C. et al. Bioelectrical impedance analysis: population reference values for phase angle by age and sex. Am J Clin Nutr., v. 82, n.1, p. 49-52, 2005. PENA, N. F. et al. Association Between Standardized Phase Angle, Nutrition Status, and Clinical Outcomes in Surgical Cancer Patients. Nutrition in Clinical Practice, v. 34, n. 3, p. 381–386, 5 jun. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1002/ncp.10110 BONGIOLO, A. M. et al. Phase angle as a predictor of muscle mass in patients with inflammatory bowel disease. Arquivos de Gastroenterologia, v. 61, n. 4, p. 386-395, out./dez. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0004-2803.246102023-95.