Orientador(es): LUIZ FERNANDO RODRIGUES JÚNIOR
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Trabalhadores de hospitais de alta complexidade estão expostos a condições laborais que podem comprometer sua saúde física e mental, impactando negativamente na qualidade de vida (QV). Contudo, os fatores associados à QV de trabalhadores desse perfil de hospital ainda é pouco descrito. O objetivo deste estudo foi identificar fatores associados à QV de trabalhadores de um hospital de alta complexidade. Trata-se de um estudo observacional transversal realizado no Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro (hospital quaternário do Sistema Único de Saúde), entre novembro de 2018 e dezembro de 2019. Todos os funcionários ativos do INC foram elegíveis para o estudo, sendo recrutados nos diversos departamentos da instituição, e incluídos aqueles com idade ≥18 anos. Foram excluídos indivíduos em licença médica, gestantes, lactantes e aqueles lotados em outra unidade de saúde. A coleta de dados contemplou variáveis sociodemográficas, clínicas e hábitos de vida, além da aplicação de instrumentos validados: WHOQOL-Bref para qualidade de vida, PSS-10 para percepção de estresse e IPAQ-SF para nível de atividade física, complementados por medidas antropométricas e cálculo do índice de massa corporal. Os dados foram analisados por modelos de regressão multivariada, considerando p<0,05 como estatisticamente significativo. Dos 225 recrutados, 200 foram incluídos na análise, com média de idade de 44,4 anos e predominância do sexo feminino (66,1%). A média de horas de sono foi de seis horas por noite, e 37,5% dos participantes relataram alto nível de atividade física. Os escores de QV variaram de 3,1 a 3,7 entre os diferentes domínios. Na análise multivariada, o estresse foi negativamente associado a todos os domínios: físico (β=-0,5; IC95% -0,8 a -0,3; p<0,001), psicológico (β=-0,6; IC95% -0,9 a -0,3; p<0,001), relações sociais (β=-1,0; IC95% -1,4 a -0,7; p<0,001), meio ambiente (β=-0,9; IC95% -1,2 a -0,7; p<0,001), percepção de qualidade de vida (β=-0,3; IC95% -0,4 a -0,2; p<0,001), percepção de saúde (β=-0,3; IC95% -0,5 a -0,2; p<0,001) e escore global (β=-1,3; IC95% -1,7 a -0,8; p<0,001). Além disso, o maior número de horas de sono associou-se positivamente à percepção de saúde (β=+0,8; IC95% 0,1 a 1,5; p=0,018), enquanto o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 apresentou associação negativa com essa percepção de saúde (β=-3,5; IC95% -6,9 a 0,0; p=0,049). Não foram observadas diferenças significativas entre funções institucionais distintas. Portanto, os resultados indicam que níveis mais elevados de estresse estão relacionados a uma pior QV, enquanto um maior tempo de sono se associa a uma melhor percepção de saúde. Por outro lado, a presença de doenças crônicas está associada a uma pior percepção de saúde. Estudos longitudinais são necessários para aprofundar a compreensão das relações causais e avaliar a efetividade de intervenções voltadas ao suporte ocupacional.
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