Orientador(es): JOSÉ GUILHERME DE SANTANA SANTOS, FELIPE RABELO COSTA, KATHERINE BITTENCOURT MENDES LEITÃO DE JESUS, ANA SOPHIA SOARES PESSOA NOBRE DE LACERDA, KARINA DOS SANTOS
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A retenção de peso pós-parto (RPPP) é fator de risco para o desenvolvimento de obesidade materna. A RPPP pode ser influenciada pelo ganho de peso gestacional, hábitos de vida, amamentação e mudanças na duração e qualidade do sono. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre tempo e qualidade do sono e retenção de peso pós-parto. Trata-se de um estudo observacional, realizado entre março de 2024 a junho de 2025, em um hospital universitário no Rio de Janeiro, incluindo mulheres (≥20 anos), usuárias do SUS, no primeiro ano pós-parto e com gestação única de nascido vivo. Não foram incluídas gestantes, mulheres com limitações cognitivas ou funcionais, vírus HIV ou parto antes de 32 semanas. Os dados foram coletados por entrevista, com informações sociodemográficas, clínicas, obstétricas, antropométricas e registros sobre tempo e qualidade do sono. A RPPP foi definida pela diferença entre peso atual e pré-gestacional e o estado nutricional classificado pelo IMC (peso/altura²). A avaliação do sono considerou horários de dormir e acordar, despertares noturnos, frequência e alterações durante a gestação e no pós-parto. A análise usou estatística descritiva, testes de medianas e qui-quadrado, por meio do software SPSS (p< 0,05). O projeto obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob número de parecer 6.273.645. A amostra incluiu 135 mulheres, com mediana de idade de 29 anos (IIQ 25-34). Predominaram mulheres pardas (43%) com ensino médio completo (75%). O parto cesáreo ocorreu em 51,1%, a maioria das mulheres realizaram pré-natal e 88% relataram amamentar, com 81,5% em aleitamento exclusivo nos primeiros 6 meses. Quanto às complicações gestacionais, 29,6% tiveram diabetes gestacional e 31,1% síndromes hipertensivas. A obesidade antes da gestação (35,6%) e o sobrepeso (25,9%) elevaram para 43% e 27,4% no pós-parto, respectivamente. O ganho de peso gestacional excessivo ocorreu em 64,7%, e a mediana da RPPP foi 5,95 kg (IIQ 3,0 - 11,0). Quanto ao sono, 88,8% relataram despertares noturnos frequentes. Durante a gestação, 35,6% dormiram menos, 28,9% mais e 17% relataram sonolência diurna. Não houve associação significativa entre sono e RPPP, mas observou-se menor RPPP entre as mulheres que não relataram mudanças no padrão de sono durante a gestação (3,5 kg; IIQ 1,2 – 7,7) em comparação às mulheres que relataram dormir mais horas por noite (6,0 kg; IIQ 3,9 - 9,7), menos horas por noite (7,0 kg; IIQ 3,9 - 12,7) ou aquelas que tinham muito sono durante o dia (6,5 kg; IIQ 3,0 - 16,7) (p=0,178). Notou-se uma possível influência do sono na evolução ponderal no pós-parto, ainda não confirmada. A sequência do estudo permitirá nova avaliação em amostra maior, incluindo outros fatores em análises multifatoriais. A alta prevalência de excesso de peso e RPPP aponta para a necessidade de estratégias nutricionais e multiprofissionais para prevenir riscos à saúde materna.
ROSENBAUM, Diane L.; GILLEN, Meghan M.; MARKEY, Charlotte H.. The importance of sleep and parity in understanding changes in weight and breastfeeding behavior among postpartum women. Appetite, [S.L.], v. 170, p. 105889, mar. 2022. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.appet.2021.105889. CHAPUT, Jean-Philippe; MCHILL, Andrew W.; COX, Rebecca C.; BROUSSARD, Josiane L.; DUTIL, Caroline; COSTA, Bruno G. G. da; SAMPASA-KANYINGA, Hugues; WRIGHT, Kenneth P.. The role of insufficient sleep and circadian misalignment in obesity. Nature Reviews Endocrinology, [S.L.], v. 19, n. 2, p. 82-97, 24 out. 2022. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/s41574-022-00747-7. BRASIL. Ministério da Saúde. Universidade Federal de Sergipe. Guia para a organização da vigilância alimentar e nutricional na Atenção Primária à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.