ASPECTOS IDEOLÓGICOS DO "BOLSONARISMO" E SEUS REBATIMENTOS PARA A CLASSE TRABALHADORA

ARTHUR BESERRA MORAES

Apresentador(es): ARTHUR BESERRA MORAES

Orientador(es): RAFAELA DE SOUZA RIBEIRO


Área temática: SERVIÇO SOCIAL

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A partir dos estudos continuados na pesquisa “Cultura, Marxismo e Serviço Social: desafios para uma nova práxis”, entramos no módulo “Serviço Social, mídia e o papel da extrema direita” no início do ano letivo de 2025. A investigação foi realizada a partir de estudos bibliográficos referenciados no tema, tal como autores assentados na teoria marxiana e gramsciana, nos moldes da filosofia da práxis e materialismo histórico. O objetivo dos pesquisadores neste módulo foi pôr em pauta a consideração que as mídias sociais, nos dias de hoje, são pontos centrais na formação e difusão do consenso, que estagna e confunde a luta de classes, de maneira que conquistas fundamentais da classe trabalhadora se tornam contraditórias ideologicamente ao senso comum, de maneira a favorecer a hegemonia das classes burguesas. Tomamos como exemplo a ascensão e eleição de Jair Bolsonaro, nas eleições de 2018, e ascensão da ideologia “bolsonarista”, que vai de encontro a ideologia da classe trabalhadora, fundamental para o processo de tomada de consciência. Tomemos então a “Ideologia” como conceito central para esta investigação. O conjunto de filosofias necessário para a hegemonia de uma classe tende a mudar conforme a conjuntura, porém com o flerte ao neo-fascismo o bolsonarismo compete a uma cadeia de valores anteriormente vista na história: fundamentalismo religioso, controle sobre os meios de comunicação de massa e conjunto de políticas populistas e reacionárias, outro tema que vem sendo investigado em nossa pesquisa.Partindo da teoria de “Estado Ampliado” desenvolvida por Gramsci, o Estado não se restringe apenas a sua burocracia organizacional, sendo palco para essa disputa a sociedade civil. Neste sentido se faz necessário a formação de consenso entre as classes, onde a democracia burguesa e os aparelhos ideológicos da burguesia cumprem o papel de manipulação do senso comum, entrando em cena o “jogo” ideológico pela hegemonia. Tendo a classe dominante o controle dos Aparelhos Privados de Hegemonia e dos meios de produção, e neste caso em si as mídias sociais, tradicionalmente será a classe detentora da hegemonia, e no processo de eleição de Bolsonaro foi essencial na formação das consciências, tornando o “bolsonarismo” em um fenômeno dentro da classe trabalhadora. Nesse lastro, o anti-petismo tem sido fundamental no papel de formação destas consciências, tornando a paixão política por Bolsonaro e o “bolsonarismo” dever moral desses indivíduos afeiçoados a esta ideologia, assim defendendo pautas de origem cristãs, nacionalistas e reacionárias, de modo a esquecerem o valor político da disputa presidencial. “Também a guerra em ato é “paixão”, a mais intensa e febril, é um momento da vida política é a continuação, sob outras formas, de uma determinada política; é necessário, portanto, explicar como a “paixão” pode se tornar “dever” moral, e não dever moral política, mas de ética.”(Gramsci, 2022, p.15)

Bibliografia

Cadernos do cárcere, volume 3: Maquiavel, notas sobre o estado e a política / Antonio Gramsci; tradução Luiz Sérgio Henriques, Marco aurélio Nogueira, Carlos Nelson Coutinho - 11. ed. - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022

Palavras-chave

Ideologia Extrema Direita
Voltar