Orientador(es): RICARDO DE OLIVEIRA SOUZA
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O objetivo primário deste estudo foi graduar a extensão da lesão estrutural cerebral em pacientes com Doença de Alzheimer (DA) provável por meio de escalas visuais aplicadas à ressonância magnética (RM), correlacionando tais achados com o desempenho cognitivo. Foram avaliadas lesões vasculares da substância branca (SB) e atrofia do lobo temporal medial (hipocampo e regiões vizinhas). Foram selecionadas imagens de 29 pacientes com diagnóstico clínico de DA e 27 controles pareados por idade, sexo e escolaridade. Como controles patológicos adicionais, incluíram-se 15 casos de Demência Frontotemporal (DFT) e 15 de Transtorno Cognitivo Leve (TCL). As imagens foram graduadas pelas escalas de Fazekas et al. (1987) e Scheltens et al. (1992) por cinco avaliadores previamente treinados. A confiabilidade interobservador foi aferida pelo coeficiente de correlação intraclasse (k > 0,83), indicando excelente consistência. As variáveis contínuas foram descritas como média ± dp; as diferenças entre grupos, analisadas pelo teste de Mann-Whitney; e as correlações entre variáveis dimensionais, pelo coeficiente de Spearman. Foram adotados α = 0,05 (bicaudado) e cálculo de tamanho do efeito para testes significativos. Não houve diferenças demográficas relevantes entre pacientes e controles. Como esperado, o desempenho cognitivo global dos pacientes foi inferior ao dos controles (MMSE, MoCA). Do ponto de vista estrutural, a carga total de lesão da SB e a redução do volume hipocampal foram maiores nos pacientes. Entretanto, a carga de lesão da SB não apresentou correlação significativa com desempenho cognitivo (rho = 0,23; p > 0,19). Por outro lado, a atrofia hipocampal correlacionou-se negativamente com as pontuações cognitivas, tanto no hemisfério direito (rho = –0,56; p < 0,01) quanto no esquerdo (rho = –0,54; p < 0,01). Esses resultados indicam que a atrofia do lobo temporal medial é um marcador estrutural mais fortemente associado ao declínio cognitivo na DA do que a carga de lesão da SB, ainda que esta última seja mais frequente em pacientes do que em controles. A robustez dos métodos empregados é reforçada pela elevada concordância entre avaliadores e pela ausência de diferenças demográficas entre os grupos. Atualmente, o estudo encontra-se em expansão, com a inclusão de novos casos e grupos de controle patológico (DFT e TCL), o que permitirá compreensão mais abrangente da interação entre processos neurodegenerativos e vasculares na DA.
BARKHOF, Frederik et al. The significance of medial temporal lobe atrophy: a postmortem MRI study in the very old. Neurology, v. 69, n. 15, p. 1521-1527, 2007 ; FAZEKAS, Franz et al. MR signal abnormalities at 1.5 T in Alzheimer 's dementia and normal aging. American journal of roentgenology, v. 149, n. 2, p. 351-356, 198 ; FOLSTEIN, Marshal F.; FOLSTEIN, Susan E.; MCHUGH, Paul R. “Mini-mental state”: a practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. Journal of psychiatric research, v. 12, n. 3, p. 189-198, 1975.; NASREDDINE, Ziad S. et al. The Montreal Cognitive Assessment, MoCA: a brief screening tool for mild cognitive impairment. Journal of the American Geriatrics Society, v.53, n. 4, p.695-699, 2005; SCHELTENS, Philip et al. Atrophy of medial temporal lobes on MRI in" probable" Alzheimer's disease and normal ageing: diagnostic value and neuropsychological correlates. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, v.55, n.10, p. 967-972, 1992.