COMPROMETIMENTO COGNITIVO E CARGA DE LESÃO CEREBRAL NA DEMÊNCIA DE ALZHEIMER

GUILHERME PIRES DE MENDONÇA AZEVEDO

Apresentador(es): GUILHERME PIRES DE MENDONÇA AZEVEDO

Orientador(es): RICARDO DE OLIVEIRA SOUZA


Área temática: MEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência em idosos, caracterizada por declínio progressivo das funções cognitivas e alterações estruturais cerebrais visíveis por neuroimagem. A compreensão da relação entre carga de lesão cerebral e desempenho cognitivo pode contribuir para maior precisão diagnóstica e melhor entendimento dos mecanismos envolvidos na doença. O presente estudo tem como objetivo avaliar a associação entre alterações estruturais cerebrais e desempenho cognitivo global em pacientes com diagnóstico clínico de Alzheimer, comparando-os a indivíduos controles pareados por sexo, idade e escolaridade, além de incluir controles patológicos com Demência Frontotemporal (DFT) e Transtorno Cognitivo Leve (TCL). Foram selecionadas e analisadas imagens de ressonância magnética de 29 pacientes com Alzheimer, 27 controles normais, 15 pacientes com DFT e 15 com TCL. As imagens foram avaliadas de acordo com as escalas visuais de Fazekas e Scheltens, com quantificação de lesões da substância branca e atrofia temporal medial. O desempenho cognitivo foi aferido por meio das versões brasileiras do Mini-Mental State Examination (MMSE) e do Montreal Cognitive Assessment (MoCA). A confiabilidade interobservador foi verificada pelo coeficiente kappa, situando-se acima de 0,83, valor considerado excelente. Os pacientes com Alzheimer apresentaram desempenho significativamente inferior nos testes cognitivos quando comparados aos controles (MMSE: 23 ± 7 vs. 29 ± 2; MoCA: 17 ± 7 vs. 26 ± 3, p < 0,05), além de maior carga de lesão da substância branca e maior atrofia hipocampal bilateral. Entretanto, a carga de lesão da substância branca não mostrou correlação significativa com o desempenho cognitivo (rho = 0,23; p > 0,19), ao contrário da atrofia temporal medial, que apresentou correlação negativa relevante com as pontuações cognitivas, tanto à direita (rho = –0,56; p < 0,01) quanto à esquerda (rho = –0,54; p < 0,01). Esses achados indicam que a atrofia do lobo temporal medial é um marcador estrutural mais fortemente associado ao declínio cognitivo na Doença de Alzheimer do que a carga de lesão da substância branca. Os resultados reforçam a importância do uso de escalas padronizadas em neuroimagem e apontam para a necessidade de investigações adicionais com amostras ampliadas e inclusão de controles patológicos, visando aprofundar a compreensão dos diferentes padrões de comprometimento cerebral e seus impactos sobre a cognição.

Bibliografia

FAZEKAS, Franz et al. MR signal abnormalities at 1.5 T in Alzheimer’s dementia and normal aging. American Journal of Roentgenology, v. 149, n. 2, p. 351-356, 1987. SCHELTENS, Philip et al. Atrophy of medial temporal lobes on MRI in “probable” Alzheimer’s disease and normal ageing: diagnostic value and neuropsychological correlates. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, v. 55, n. 10, p. 967-972, 1992. NASREDDINE, Ziad S. et al. The Montreal Cognitive Assessment, MoCA: a brief screening tool for mild cognitive impairment. Journal of the American Geriatrics Society, v. 53, n. 4, p. 695-699, 2005.

Palavras-chave

Alzheimer neuroimagem cognição ressonância magnética atrofia hipocampal lesão de substância branca.
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