Orientador(es): ROBERTO CARLOS LYRA DA SILVA
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Introdução: Apesar dos avanços recentes, como a instituição da Política Nacional de Cuidados Paliativos (Portaria GM/MS nº 3681/2024), os serviços ainda enfrentam desafios quanto ao acesso oportuno a pacientes com doença oncológica avançada no SUS. A questão central deste estudo foi identificar qual o custo do tratamento de paciente com câncer avançado/metastático no SUS. Objetivo: comparar os custos do tratamento de pacientes onclógicos em estágio avançado da doença no INCA. Métodos: Estudo retrospectivo, quantitativo, de análise de custo da doença, realizado em hospital oncológico de referência nacional. Foram elegíveis pacientes com câncer avançado e com indicação para cuidados paliativos (CP. A abordagem microcusteio “bottom-up” foi adotada para estimar os custos médicos diretos, utilizando como fonte de dados, o sistema Absolute do INCA, para estimar os custos com medicamentos, o Banco de Preços em Saúde (BPS) para valores de mercado de materiais e outros insumos, e o SIGTAP para procedimentos. O horizonte temporal foi de 30 dias, referentes aos últimos dias de vida dos participantes. Todos os óbitos ocorreram durante a internação hospitalar. Resultados: Foram analisados 97 prontuários. Predominância feminina e idade média de 63 anos. O custo médio por paciente variou entre R$ 666,93 (HC4) e R$ 3.936,81 (HC3). O HC4 apresentou o menor custo, menor utilização de exames (1,91/dia) e maior custo com o uso de opioides, refletindo foco em analgesia e conforto. Custos mais elevados, associados à maior número de procedimentos, uso de terapias antineoplásicas e internações mais prolongadas foram observados no HC 2 e HC 3. O custo por paciente no HC4 foi até cinco vezes menor que em outras unidades, resultado que evidencia o potencial de economia caso houvesse maior expansão de unidades exclusivas de CP no SUS. Discussão: Os custos foram impactados principalmente pelo consumo de medicamento de alto custo, como os quimioterápicos antineoplásicos, os hormônios e os imunoterápico, como observado no HC 3, unidade especializada em câncer de mama. Os resultados sugerem que unidades de CP exclusivos são mais econômicas e alinhadas às recomendações da OMS para controle da dor, o que justifica o maior gasto com opioides. Estudos prévios corroboram a redução de custos em modelos integrados de oncologia e CP (Guimarães et al., 2024; Tolppanen et al., 2024), bem como a racionalização de exames e terapias fúteis (Maresova et al., 2024), o que possibilita realocar recursos para outras áreas prioritárias do SUS, a preventiva, rastreamento e terapias inovadoras. Conclusões: O estudo demonstrou que o modelo de CP exclusivo adotado no HC 4 é o de menor custo para o SUS. A maior utilização de opioides nessa unidade deve ser interpretada como indicador positivo de qualidade assistencial. Conclui-se que a expansão de serviços especializados de CP no SUS pode reduzir custos hospitalares e melhorar a eficiência alocativa de recursos na instituição analisada.
1.Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2013. 2. International Association for Hospice and Palliative Care (IAHPC). Definition of Palliative Care. [Internet]. [c