Orientador(es): MARY ANN MENEZES FREIRE
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), constitui um problema de saúde pública global e de grande impacto social. No Brasil, a epidemia apresenta transformações ao longo das décadas, com tendência de feminização, heterossexualização e interiorização, além de persistirem estigmas que dificultam a adesão ao diagnóstico e ao tratamento. Apesar dos avanços no acesso à terapia antirretroviral e nas políticas de prevenção, ainda são observadas desigualdades regionais e casos de diagnóstico tardio, o que reforça a importância de estudos que analisem a realidade local e subsidiem intervenções direcionadas. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar o cenário epidemiológico do HIV/Aids no município do Rio de Janeiro, com ênfase nas áreas de planejamento 2.1 e 5.1, no período de 2015 a 2020. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-exploratório, baseada em dados do EpiRio, disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde. Foram considerados todos os casos notificados nessas áreas, respeitando as diretrizes éticas nacionais para pesquisas em saúde. Os resultados demonstram que as taxas de detecção por 100 mil habitantes apresentaram queda relevante no município, passando de 61,9 em 2015 para 35,4 em 2020. A análise por área evidencia declínio contínuo na AP 2.1, sugerindo maior efetividade das ações de prevenção e diagnóstico precoce, enquanto na AP 5.1 a redução foi irregular, indicando limitações de acesso e fragilidades na implementação de políticas públicas. O perfil epidemiológico observado no período manteve predominância de homens jovens, de 20 a 29 anos, autodeclarados pardos. Destaca-se ainda a estabilização das notificações de HIV positivo em torno de 75% a 80%, associada à redução dos casos de Aids após 2015, o que pode refletir avanços no diagnóstico precoce. Entretanto, diferenças entre as áreas indicam persistência de desigualdades, como maior proporção de casos em estágio avançado na AP 2.1 e prevalência feminina mais expressiva e mais jovem na AP 5.1. Esses achados evidenciam a necessidade de estratégias territoriais diferenciadas, voltadas à redução do estigma, ampliação do acesso ao diagnóstico e fortalecimento das ações de prevenção, incluindo programas de educação permanente, promoção da educação sexual e divulgação qualificada sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP). O fortalecimento dessas medidas é essencial para conter a progressão da epidemia e avançar no cumprimento das metas pactuadas com a Organização Mundial da Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção de Adultos pelo HIV em Adultos. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico de HIV/Aids. Brasília: MS, 2019. BRASIL. Painéis Epidemiológicos Doenças transmissíveis crônicas. Disponível em: <https://epirio.svs.rio.br/painel/doencas-transmissiveis-cronicas/>. Acesso em: 23 ago. 2024.