Orientador(es): IVAN COELHO DE SA
Área temática: MUSEOLOGIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Em continuidade ao Projeto de Pesquisa e da apresentação na 23ª JIC, este estudo aprofunda a circulação de modelos entre a Revista Mouseion e a prática museológica brasileira ao focalizar, no biênio 1939–1940, os impactos sobre a disciplina Técnica de Museus do Curso de Museus/MHN e sobre rotinas de gestão e proteção do Patrimônio. Em contexto de Estado Novo, com padronização administrativa (DASP), centralização comunicacional (DIP) e institucionalidade patrimonial (SPHAN), a eclosão da Segunda Guerra Mundial na Europa(1939-1945),reordenam prioridades de salvaguarda. Pergunta-se como essas variáveis, articuladas às formulações internacionais difundidas pela Mouseion, moldaram perfis profissionais, procedimentos e ensino de Museologia no Brasil. Parte-se de dois eixos da Mouseion. Em 1939, o Avant-Projet de Convenção, acompanhado do comentário de Euripide Foundoukidis, apresenta uma arquitetura jurídico-programática para tempos de guerra, fixando descritores e tarefas: cadastro e sinalização de bens, normalização documental e inventários, planos de evacuação e coordenação entre autoridades. Em 1940, o levantamento de medidas por país desloca do prescritivo ao operacional, detalhando abrigos e reforços estruturais, técnicas de embalagem e dispersão de acervos, escolta e vigilância, rotinas de segurança. Esse vocabulário permite aterrar a análise na prática e compor um quadro comparativo entre o pré-guerra e seu início (1936–1939), evidenciando a virada para procedimentos de defesa passiva. No Brasil, dado o contexto político, há apropriações normativas e interpretações pragmáticas. O primeiro concurso do DASP (1939–1940), para Conservador de Museus, internaliza essa gramática ao demandar competências alinhadas aos descritores mapeados: organizar inventários/ catálogos normalizados; acondicionamento, guarda//transporte seguro, além de redigir relatórios técnico-administrativos. Esses requisitos dialogam com o currículo e com as rotinas da disciplina Técnica de Museus no Curso de Museus/MHN, que atuou como vetor de tradução, incorporando recomendações internacionais e adaptando-as a recursos locais. A metodologia combina resumos de artigos da Mouseion de 1939 e 1940 com triangulação com a disciplina Técnica de Museus, documentação do Curso de Museus/MHN (matrizes, programas e fluxogramas), Cartas Patrimoniais, além dos editais do concurso do DASP. Em resultados esperados, projeta-se identificar alinhamentos técnicos entre recomendações internacionais e ensino/prática no Curso de Museus-MHN, mapear apropriações seletivas e deslocamentos semânticos e reconstituir tópicos programáticos e rotinas de conservação preventiva, inventário, acondicionamento, evacuação e segurança. Conclui-se, de forma parcial, que a disciplina Técnica de Museus performou importante circulação de modelos sob o autoritarismo do Estado Novo e sob as urgências da guerra mundial. Elaboração de quadros e gráficos a serem apresentados na 24ª JIC/SIA 2025.
OFFICE INTERNATIONAL DES MUSÉES. Avant-Projet de Convention Internationale sur la Protection des Monuments et Œuvres d’Art au cours des Conflits Armés; suivi du Commentaire. Mouseion, v. 47–48, 1939, p. 180–214. OFFICE INTERNATIONAL DES MUSÉES. Les mesures de précaution prises dans divers pays pour protéger les monuments et œuvres d’art au cours de la guerre actuelle. Mouseion, v. 49–50, n. 1–2, 1940, p. 9–28. BARROSO, Gustavo. Introdução à técnica de museus. Rio de Janeiro: MEC–MHN, 1946.