Orientador(es): VANESSA DE ALMEIDA FERREIRA CORRÊA
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A simulação em saúde tem sido adotada como estratégia didática para aproximar teoria e prática na graduação em enfermagem, mas sua efetividade depende também da infraestrutura e da organização da prática simulada. Esta pesquisa teve por objetivo identificar fatores que favorecem e limitam a aprendizagem discente em simulações de baixa fidelidade na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Aplicou-se análise de conteúdo temático-categorial a 93 respostas abertas de discentes (4º–10º período) à pergunta “Quais foram os pontos que mais favoreceram e os que não favoreceram o seu aprendizado durante a simulação?”. O corpus foi segmentado em unidades de registro (UR), codificado e agrupado em temas por similaridade semântica com o apoio de um modelo de linguagem (Gemini Pro 2.5), cujas segmentação e categorização foram posteriormente revisadas pelos pesquisadores. A pesquisa ocorreu entre agosto de 2024 e maio de 2025, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição proponente, sendo seguido os preceitos éticos relacionados à pesquisa com seres humanos. A análise originou três categorias: (1) Dimensão Pedagógica — articulação teoria-prática, debriefing e desenvolvimento de competências; (2) Dimensão Estrutural e Tecnológica — qualidade de áudio, vídeo e conectividade; (3) Dimensão Organizacional e de Acesso — limitação de participantes e papel do observador. Os principais resultados foram: a articulação teoria-prática associada ao debriefing foi o fator mais favorável à aprendizagem (48,3% das URs); falhas tecnológicas e transmissão via Google Meet foram o principal fator desfavorável, afetando especialmente os participantes observadores (34,5% das URs); o modelo organizacional que mantém grande parte da turma em papel passivo gerou insatisfações (17,2% das URs), mesmo quando o facilitador buscou incluir observadores no debriefing com perguntas estimuladoras. Embora a literatura recomende estratégias específicas de debriefing para engajar observadores (questões orientadoras e guias estruturados), a aplicação prática exige intencionalidade e sistematização. Conclui-se que a simulação é efetiva, mas seu potencial só se realiza plenamente com bom desenho instrucional, capacitação dos facilitadores para debriefings inclusivos e recursos audiovisuais adequados. Recomenda-se adoção de medidas práticas: checklists e testes rápidos de áudio/vídeo pré-sessão; investimento em infraestrutura (incluindo conectividade cabeada/internet em pontos de captura/exibição); roteiros estruturados para observadores; e formação continuada de facilitadores. Tais ações visam reduzir perdas no envolvimento dos participantes, aumentar equidade e potencializar a efetividade da simulação, oferecendo subsídios para a gestão de laboratórios e intervenções na formação em enfermagem.
INACSL (INACSL STANDARDS COMMITTEE). INACSL standards of best practice: SimulationSM — The Debriefing Process. Clinical Simulation in Nursing, v. 12, supl., p. S21–S25, dez. 2016. DOI: 10.1016/j.ecns.2016.09.008. OLIVEIRA, Denize Cristina de. Análise de conteúdo temático-categorial: uma proposta de sistematização. Revista de Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 16, n. 4, p. 569–576, out.–dez. 2008. ESPADARO, Renato Fábio. A SIMULAÇÃO REALÍSTICA COMO PRÁTICA EDUCACIONAL NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM CONTEMPORÂNEA. Eccos Rev. Cient., São Paulo , n. 66, e25158, jul. 2023 . Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-92782023000300100&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 22 set. 2025. Epub 19-Fev-2024. https://doi.org/10.5585/eccos.n66.25158.