Orientador(es): ESTHER CYTRYNBAUM YOUNG
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Mais do que os danos da doença aguda, a COVID-19 deixou como herança a preocupação com uma nova síndrome denominada COVID longa. A Organização Mundial da Saúde a caracteriza como condições clínicas que se estendem ou têm início após pelo menos 3 meses da infecção aguda e não podem ser explicadas por nenhum diagnóstico alternativo. Esses sintomas podem afetar significativamente a vida de cada indivíduo, sobretudo ao sobrepor doenças crônicas prevalentes em nosso país, como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM). Esse estudo se propõe a traçar o perfil dessa síndrome localmente e identificar a influência de fatores de risco e outras condições no seu desenvolvimento, a fim de otimizar o seu diagnóstico e tratamento. Os dados foram coletados por entrevistas e pelo subsequente preenchimento de um formulário pré estruturado na plataforma Google Forms, e foram posteriormente analisados no Excel e no programa estatístico R. Das 343 pessoas entrevistadas, 229 (66,57%) apresentaram pelo menos uma sequela da COVID-19. As sequelas mais frequentes foram esquecimento (107 [46,7%]), fadiga (99 [43,2%]), queda de cabelo (78 [34,1%]), falta de ar (66 [28,8%]) e alterações de olfato (49 [21,4%]). Os fatores de risco mais prevalentes nesse grupo foram Hipertensão Arterial Sistêmica (104 [45,4%]), Diabetes Mellitus (66 [28,8%]) e Sobrepeso ou Obesidade (29 [12,6%]). Observou-se associação estatisticamente significativa entre o desenvolvimento de sequelas e o sexo feminino (p-valor: 0,007), ausência de vacinação na fase aguda da doença (p-valor: 0,017) e quadro agudo mais sintomático (p-valor < 0,001). Tais achados possivelmente refletem interações hormonais, imunológicas e comportamentais. Embora a Hipertensão Arterial Sistêmica e o Diabetes Mellitus não tenham apresentado associação estatística significativa, a prevalência dessas comorbidades em nossa sociedade torna o estudo desses resultados de extrema importância. Mecanismos como inflamação crônica, disfunção endotelial e alterações imunometabólicas podem explicar a correlação dessas duas doenças crônicas e o maior desenvolvimento de sequelas. A importância do estudo fundamenta-se na evidência local de grande número de indivíduos com sintomas compatíveis com a síndrome pós COVID mas, na maior parte das vezes, sem conhecimento dessa condição. Assim, destaca-se a necessidade de ampliar a divulgação científica sobre o tema, capacitar profissionais de saúde para suspeitar, reconhecer e diagnosticar a síndrome, e desenvolver estratégias de acompanhamento multidisciplinar direcionadas especialmente aos grupos de risco citados. Além disso, medidas voltadas à vigilância e cuidado de longo prazo dos pacientes afetados tornam-se fundamentais para reduzir o impacto individual e coletivo da COVID longa.
-Organização Mundial da Saúde (OMS). Doença do coronavírus (COVID-19): Condição pós-COVID-19. Organização Mundial da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/coronavirus-disease-(covid-19)-post-covid-19-condition. -Stepanova N, Driianska V, Rysyev A, Ostapenko T, Kalinina N. IL-6 e IL-17 como possíveis elos entre hipertensão pré-existente e sequelas prolongadas da COVID-19 em pacientes em hemodiálise: um estudo multicêntrico transversal. Scientific Reports 2024; 14(1):4968. doi: 10.1038/s41598-024-54930-z. -Sathish T, Kapoor N, Cao Y, Tapp RJ, Zimmet P. Potenciais vias metabólicas e inflamatórias entre COVID-19 e diabetes de início recente. Diabetes & Metabolism 2021; 47(2):101204.