Orientador(es): ANDRÉ LUIZ COELHO FARIAS DE SOUZA
Área temática: CIÊNCIA POLÍTICA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A pesquisa propõe-se a analisar a bibliografia disponível acerca da Política da Boa Vizinhança para compreender seus efeitos no hemisfério sul do continente, mais especificamente nas diretrizes da Política Externa brasileira, justificando-se pela relevância de tais esforços para moldar as relações internacionais contemporâneas, de modo mais expressivo na América Latina. A pesquisa concentra-se no caso brasileiro e parte da hipótese de que, apesar dos esforços da Boa Vizinhança, o país manteve sua autonomia. A bibliografia utilizada aponta para uma hostilidade nos países latino-americanos promovida pelo monroísmo e o Corolário Roosevelt, que somada à crise de 1929, motivou uma aproximação da América Latina com a Europa. Para contornar essa situação, Franklin D. Roosevelt reorientou a política externa norte-americana e, através da Política da Boa Vizinhança, buscou um alinhamento hemisférico baseado em relações econômicas, diplomáticas e culturais. Desse modo, nosso objetivo geral é aprofundar a compreensão sobre a influência da Política da Boa Vizinhança na Política Externa brasileira, analisando mudanças de orientação decorrentes da adesão a essa política e mensurando o grau das alterações percebidas. Os esforços metodológicos deste trabalho incluem uma abordagem qualitativa, elaborada a partir do levantamento bibliográfico referente ao tema de Política Externa brasileira, com finalidade exploratória e explicativa, permitindo o aprofundamento sobre a temática. A década de 1930 marcou a Política Externa Brasileira com nova percepção do interesse nacional, decorrente de mudanças sociopolíticas internas, resultando em fortalecimento da relação bilateral com os Estados Unidos. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Política Externa brasileira racionalizou-se, aproveitando a disputa entre Estados Unidos e Alemanha para maximizar ganhos via equidistância pragmática, diluindo convergências ideológicas e valorizando a racionalidade. No Estado Novo, a relação com a Alemanha foi refreada devido a desavenças diretas à balança de poder favorável para os Aliados. A Missão Aranha em 1939, parte da política da Boa Vizinhança, antecipou o abandono da equidistância pragmática, seguida pela ruptura com o Eixo e declaração de guerra em 1942. A Política consolidou laços com os vizinhos hemisféricos e, com a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) em 1947, evidenciou a eficiência dos esforços norte-americanos para formar uma aliança continental, embora no pós-guerra, tenha depreendido o papel do Brasil diante de novos arranjos de poder. Os resultados indicam que o Brasil manteve sua autonomia em política externa, substituindo o alinhamento automático pelo pragmatismo, possibilitando ajustes de programa e ganhos estratégicos sem alterar fundamentalmente sua posição no sistema internacional. O avanço da pesquisa buscará explorar os impactos de maior prazo desse alinhamento para a posição internacional do Brasil no pós-guerra.
CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. São Paulo: Ática, 1992. MOURA, Gerson. Autonomia na dependência: a política externa brasileira de 1935 a 1942. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. MOURA, Gerson. Sucessos e ilusões: relações internacionais do Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1991.