COSTUREIRA: COSTURANDO A CENA

LAURA BRAGA LIMA

Apresentador(es): LAURA BRAGA LIMA

Orientador(es): VANESSA TEIXEIRA DE OLIVEIRA


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

Essencialmente, haveria uma máquina de costura em cena. Desejei construir uma dramaturgia que abordasse de múltiplas formas a profissão de costureira. Ao início, mostraria ao público partes de um vestido que seria costurado ao longo da trama e terminaria inteiro. Investigar as possibilidades dessa costura em concomitância com o texto revelou-se um desafio. Firmei-me, também, em meu intento de acomodar o espaço-tempo de minha obra num mundo de contos de fadas, especificamente o da fábula de Cinderela: a costureira protagonista seria a ratinha que costura seu vestido. Nos primeiros meses, a Professora Vanessa designou-me tarefas disparadoras de inventividade. Revisitei minha ideia inicial diversas vezes, analisando-a, ampliando-a e profanando-a. Conforme rascunhava o texto, compartilhava-o em oportunidades que surgiam na universidade, obtendo impressões de colegas e professores. Também realizei extensa pesquisa para as canções do espetáculo, decupando discografias da época de ouro da rádio brasileira. A seguir, debrucei-me em assuntos que considerava primordiais. A Professora Vanessa indicou a leitura de monólogos como King Kong Fran, de Rafaela Azevedo. Assisti a documentários sobre costura como The True Cost, de Andrew Morgan e a materiais de estudo sobre a palhaçaria, como uma entrevista com Gardi Hutter. A partir dessas e outras apreciações, instituí-me o autoexercício de escrever pequenas cenas que poderiam ser inseridas na dramaturgia. Solicitei uma sala da Unirio, onde comecei a tatear as primeiras composições corporais e vocais. Paralelamente, dei início à construção de cenografia e figurino que, conforme materializavam-se, ajudavam-me na encenação. Criei um perfil no Instagram para o espetáculo. Ao acompanhar o trabalho, Rafael Vasquez, aluno egresso da Unirio, ofereceu-se para colaborar com a luz, juntando-se a mim e a minha companheira, Lavínia Lima, que assinou a direção de movimento. Após três semanas intensas de ensaios e de produção, estreamos. A Professora Vanessa partilhou suas impressões numa reunião que tivemos após a apresentação. Também consultei alguns colegas cujas perspectivas considerava valiosas. Houve, ainda, alguns dias de pós-produção, devolvendo equipamentos e catalogando itens cênicos. Esse foi um projeto no qual pude reunir grandes paixões em uma grande teia simbiótica: pesquisa, escrita, direção, atuação e costura. Apesar de descrever os processos de modo ordenado no tempo, não houve um dia do trabalho em que não estivesse me valendo de todas elas: pesquisando muito, mas já arriscando uma ou duas costuras; escrevendo enquanto vislumbrava possibilidades de uma direção criativa; compondo as personagens junto à confecção do figurino. Apesar da sobrecarga gerada pelo acúmulo de tarefas criativas e operacionais, me vejo realizada com a experiência e detentora de um pouco mais da compreensão global da criação teatral.

Bibliografia

AZEVEDO, Rafaela; BRÍGIO, Pedro. King Kong Fran.1.ed. Rio de Janeiro: Edições Cobogó, 2023. NASCIMENTO, Clayton. Macacos: monólogo em 9 episódios e 1 ato. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2022. NASCIMENTO, Suzana. Calango Deu! Os causos de Dona Zaninha: o caderno. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2017.

Palavras-chave

monólogo costureira teatro costura dramaturgia
Voltar