Orientador(es): ANDREA FURTADO MACEDO
Área temática: BIODIVERSIDADE
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
O gênero Vanilla compreende cerca de 140 espécies de Orchidaceae, das quais 40 são brasileiras e 20 endêmicas. Destaca-se V. planifolia, originária do México e usada mundialmente na produção de baunilha, a segunda especiaria mais cara do mundo, devido à vanilina, importante nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética. Apesar do valor econômico, apresenta baixa variabilidade genética devido à contínua propagação clonal ocorrida por séculos, tornando-se vulnerável a pragas, doenças e mudanças climáticas. Adicionalmente, a germinação por sementes é limitada. A cultura de tecidos oferece alternativa promissora, preservando a integridade genética, reduzindo custos e espaço de cultivo, e favorecendo a conservação. Estudos recentes reforçam a necessidade de investigar outras espécies nativas, especialmente da Mata Atlântica, visando compostos de interesse biotecnológico. Este trabalho avaliou os efeitos de diferentes concentrações de ácido indolacético (AIA) e 6-benzilaminopurina (BAP) no desenvolvimento in vitro de protocormos de Vanilla cribbiana, espécie nativa promissora. Sementes de frutos maduros coletados em Belmonte, BA, foram escarificados em HCl 6 M por 2 min 30 s sob agitação e inoculadas em meio de Murashige & Skoog (MS) líquido com 25% da concentração usual de sais nitrogenados, vitaminas, sacarose e 4,44 μM de BAP. Cultivadas entre julho e dezembro de 2024, sob temperaturas de 24–31 °C em escuro contínuo, as sementes iniciaram a germinação após cerca de cinco meses, com ruptura da testa e formação de protocormos. Os protocormos obtidos foram reinoculados em 14 tratamentos, incluindo dois controles (MS0 e MS0 1/4N) e doze combinações de BAP (4,44 μM e 8,88 μM) com AIA (0,22 μM; 0,44 μM; 0,88 μM). Cada tratamento contou com cinco frascos com quatro protocormo, totalizando 280 explantes cultivados em frascos padronizados com 30 mL de meio. As culturas foram avaliadas quinzenalmente quanto à altura, o comprimento, número e tamanho de raízes, brotos e folhas, além de peso fresco e seco, a análise estatística foi realizada no R. Após três meses e meio de cultivo, não houve contaminação fúngica ou bacteriana, nenhum tratamento resultou em formação de folhas, brotos ou raízes, porém os melhores desempenhos em altura e comprimento foram obtidos nos meios MS 1/4N + BAP 8,88 μM + AIA 0,88 μM, MS 1/4N + BAP 4,44 μM + AIA 0,44 μM e MS 1/4N + BAP 4,44 μM + AIA 0,88 μM. A concentração de 0,22 μM de AIA não apresentou resultados expressivos, sendo mais eficaz a de 0,44 μM, enquanto para o BAP destacou-se a concentração de 4,44 μM. A redução de sais nitrogenados foi eficiente para minimizar a oxidação dos protocormos. Como perspectiva, estudos futuros devem priorizar as concentrações mais promissoras, utilizar meios com redução de sais, testar condições sem carvão ativado e explorar outros reguladores de crescimento, como GA3 e NAA, visando otimizar protocolos de propagação e contribuir para a conservação de espécies nativas do gênero Vanilla.
MURASHIGE, T.; SKOOG, F. A Revised Medium for Rapid Growth and Bio Assays With Tobacco Tissue Cultures. Physiologia Plantarum, v. 15, n. 3, p. 473–497, 1962. PEDROSO-DE-MORAES, C.; SOUZA-LEAL, T. de; PANOSSO, A. R.; SOUZA, M. C. de. Efeitos da escarificação química e da concentração de nitrogênio sobre a germinação e o desenvolvimento in vitro de Vanilla planifolia Jack ex Andr. (Orchidaceae: Vanilloideae). Acta Botanica Brasilica, v. 26, n. 3, p. 714–719, 2012. DOI: 10.1590/s0102-33062012000300022. SOCH, J.; JSON, J.; PONERT, J. Acid scarification enhances in vitro germination of mature Vanilla planifolia. Botanical Studies, 2023. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s4052-021-00311-y.