Orientador(es): MARCIA RIBEIRO DIAS
Área temática: CIÊNCIA POLÍTICA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Nota-se um declínio da participação eleitoral em contexto brasileiro, o fenômeno também observado nas democracias liberais. Por isso entender as motivações na descrença acerca dos atores políticos é fundamental. Não basta investigar e descrever a abstenção eleitoral e a sua ocorrência. Teóricos da psicologia ligados ao luto, apego e decepção, descrevem que durante a vida de um indivíduo há decepções diante a várias expectativas criadas acerca de momentos e pessoas. Logo, a decepção política pode ser comparada com luto psicológico no eleitor abstencionista? Quais são os seus efeitos emocionais e na memória do eleitor que deixou de votar? O objetivo geral do trabalho é verificar se há uma decepção ligada a política e se ela aparenta em termos emocionais com o luto e as suas cinco fases. Já os objetivos específicos são em compreender como a psicologia pode contribuir no entendimento e na causa de um possível luto ou decepção, ademais, investigar a literatura da ciência política acerca da crise de confiança na democracia e na política, e como impacta na participação. Por último, analisar os discursos de eleitores abstencionistas, entendendo as principais causas da decepção política, observando as suas emoções que podem estar associadas a uma espécie de luto, além de investigar memórias e quebras de expectativas. Foram realizadas entrevistas em profundidade com 26 abstencionistas que não compareceram, votaram em branco ou nulo nas eleições de 2018 e 2022, selecionados pelo recrutamento profissional financiada pela Faperj. As entrevistas foram divididas em três partes, mas o foco foi em uma análise do conteúdo, na primeira parte da entrevista em perguntas direcionadas as memórias e emoções dos eleitores, portanto, tipificando a decepção, e também buscando relacionar a uma fase do luto, como: raiva, negação, barganha (negociação), depressão e aceitação . Os resultados prévios dessa pesquisa mostram majoritariamente uma relação nos discursos dos abstencionistas com a emoção de decepção referida aos atores políticos, mostrando que anteriormente criou-se uma expectativa que posteriormente foi quebrada. Além disso, nas explicações elaboradas diante a decepção percebeu-se emoções correspondentes a pelo menos a uma fase do luto. O trabalho continuará a investigar a literatura psicológica e política, e também mais sinais e sentimentos após relatos de decepção política, mapeando com rigor emoções ligadas ao luto psicológico. Destarte, a pesquisa visa contribuir com ramo do comportamento político e psicologia política, herdando explicações possíveis da psicologia sobre os processos emocionais articulando assim com a literatura do comportamento político eleitoral. Dessa maneira, novas considerações são esperadas para serem firmadas no campo multifacetado das emoções e política, ou seja, novas pesquisas podem auxiliar a explicar o que acontece no “pós luto político” ou alternativas para se avaliar a decepção e o luto político em diversos perfis de eleitorado.
CONVERSE, Philip E. ‘Of Time and Partisan Stability’ Comparative Political Studies 2: 139 - 171, 1969. COLEMAN, S. How Voters Feel. Cambridge: Cambridge University Press, 2013. KUBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017.