ESTUDOS EM ARQUIVOLOGIA E PRÁTICAS DECOLONIAIS: ARQUIVOS COMO INSTRUMENTOS DE SOFRIMENTO SOCIAL E FERRAMENTAS DE RESISTÊNCIA

LORENNA SILVA ARCANJO SOARES

Apresentador(es): LORENNA SILVA ARCANJO SOARES

Orientador(es): JOAO MARCUS FIGUEIREDO ASSIS


Área temática: ARQUIVOLOGIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Considerando que a criação dos arquivos (documentos e instituições) está ligada às esferas de poder (político, religioso, social, econômico), concentrada nas mãos do Estado e de grandes empresas, partimos da noção de que são registros de saberes / poderes que podem ser potencializadores de violências contra pessoas e grupos. Assim, é importante entender que os arquivos não são neutros, pois estão inseridos em um contexto social: o ato de registrar e selecionar o que será preservado está perpassado por visões de mundo que fazem parte de um contexto histórico. Tendo isso em mente, a partir de uma abordagem crítica decolonial, nossa pesquisa conjuga a busca da identificação da produção / reprodução de sofrimento social a partir dos arquivos e formas de registrar que se insurgem a essa dominação. Nesse sentido, nosso objetivo geral é, a partir de uma perspectiva crítica decolonial, investigar a produção de sofrimento social advindo da produção autorizada (oficial) de discursos objetificados em documentos, bem como os papéis das instituições arquivísticas nesse processo. Paralelo a isso, buscamos perceber também os arquivos como elementos de emancipação social. Para tanto, como objetivos específicos, visamos entender o que é sofrimento social, analisar como está plasmado em documentos e examinar estudos e práticas arquivísticas decoloniais - o que permite tanto reconhecer as formas subalternizantes como identificar registros de insubmissão. No que diz respeito à metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, de cunho exploratório e interdisciplinar – abordagem necessária para compreender o leque de possibilidades/conceitos levantados em nossas investigações. Sendo assim, elaboramos fichamentos, mapas mentais da bibliografia levantada, buscamos mapear os autores basilares das temáticas de sofrimento social e estudos decoloniais em arquivos. Também consultamos fontes de informação diversas que ajudaram a refletir sobre nossa pesquisa (podcasts, reportagens, gravações de palestras e postagens em redes sociais). Como resultados, percebemos que, embora a investigação sobre o sofrimento social e os estudos decoloniais não seja inédita na Arquivologia, a associação dos dois temas analisados em primeiro plano o é. O que faz com que nossa pesquisa tenha uma característica exploratória, que nos leva a nos debruçarmos sobre diversas questões: produção de discursos, poder, burocracia, colonialidade, memória, subalternização, direitos humanos, justiça social, silêncio dos arquivos dentre outros. Concluímos que a presença ou ausência de grupos sociais nos registros do Estado, o que se diz ou não sobre determinados grupos sociais, como se registra e preserva, pode ser uma ferramenta que produz / perpetua sofrimento social ou instrumento de emancipação. Isso porque ao registrar, se está denominando, o que significa que ao mesmo tempo que os documentos de arquivo e instituições arquivísticas são criados, também são criadores de realidades.

Bibliografia

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília – DF, n. 1, p. 89–117, ago. 2013. BARRETO, Maria Cristina Rocha. Do sofrimento como questão sociológica. Congresso Brasileiro de Sociologia, 13, [Grupo de Trabalho Sexualidades, Corporalidades, Transgressões], 2007, UFPE, Recife (PE), 29 de maio a 1 de junho de 2007. Disponível em: https://portal.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1008&Itemid=170. Acesso em: 28 jul. 2025. DELGADO GÓMEZ, Alejandro. Documentos y poder: órdenes del discurso. Anales de Documentación, Murcia - Espanha, v. 13, p.117-133, 2010. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=63515049007. Acesso em: 30 ago. 2024.

Palavras-chave

sofrimento social arquivos decolonialidade poder
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