Orientador(es): GUSTAVO NAVES FRANCO
Área temática: LETRAS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Contexto: Esta pesquisa teve como objeto de estudo o conto História da sua Vida (1998), de Ted Chiang, bem como sua adaptação cinematográfica, o longa-metragem A Chegada (2016), de Denis Villeneuve. A obra narra a trajetória de uma linguista convocada para se comunicar com uma raça alienígena, os Heptápodes. Ao aprender sua língua, ela experimenta uma percepção de tempo distinta da humana: um modo simultâneo de consciência que se materializa na língua escrita através de ideogramas. Essa língua não linear rompe com a noção de tempo sucessivo, levando-a a vivenciar passado, presente e futuro simultaneamente – o que cria terreno fértil para estudar as relações entre linguagem e pensamento, que foram a minha motivação para esta pesquisa. Objetivo: A pesquisa objetivou, inicialmente, a comparação entre o conto e o conceito de símbolo na obra de Carl Gustav Jung, bem como a proposição de um debate em torno de aspectos linguísticos centrais para o texto de Ted Chiang, e para o filme a ele correspondente. Contudo, o objetivo principal consolidou-se na análise da relação entre linguagem e pensamento e como ela aparece ao longo da narrativa, de forma que os aspectos simbólicos e psíquicos, especialmente no que tange à obra de Jung, tornaram-se objetivos secundários. Metodologia: Realizou-se leitura interpretativa do conto e do filme, seguida de análise comparativa. Em paralelo, foi feita a leitura da bibliografia selecionada como aporte teórico e feito o recorte do corpus, culminando na elaboração do relatório final e do resumo expandido, com acompanhamento em reuniões do grupo de pesquisa. Resultados: A partir desse frutífero enredo, tem sido possível analisar a língua artificial apresentada na obra e, sobretudo, fazer uma análise essencialmente linguística da narrativa, mantendo a ênfase na forma como a língua se relaciona com a percepção da realidade, com o mundo metafísico e o pensamento humano. Considerando se tratar de uma língua de estrutura não linear e que não se comporta de maneira sucessiva no espaço-tempo (ao contrário, comporta-se de maneira simultânea), pude relacioná-la a princípios estruturalistas fundamentais, e perceber de que maneira poder-se-ia aproximá-la da teoria proposta por Ferdinand de Saussure (1916), bem como foi possível analisa-la através de teorias relativistas, especialmente no que tange à chamada Hipótese Sapir-Whorf, além de considerar aspectos diegéticos importante para a análise. Dessa forma, pôde-se constatar que o estudo da língua a partir de perspectivas espaço-temporais é um interessante objeto de investigação, não apenas como ferramenta analítica acerca de obras ficcionais, mas também, e principalmente, para se pensar a influência do espaço e do tempo nas línguas naturais, e no quanto a estrutura da língua que falamos pode, ou não, afetar a nossa visão de mundo e a nossa experiência sociocognitiva. Considerações finais: Através do texto singularmente escrito por Ted Chiang, foi possível pensar essas relações de maneira a utilizar a literatura como objeto de estudo científico em linguagem. Com isso, infere-se que a análise proposta pode oferecer ferramentas para estudos futuros sobre linguagem, cognição, e, sobretudo, sobre as relações entre língua e pensamento, constituindo-se como uma pesquisa de relevância para a comunidade científica.
CHIANG, Ted. História da sua vida e outros contos. Tradução de Edmundo Barreiros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. MARTELOTTA, Mário Eduardo. Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2024. SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. Tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2012.