LINGUAGENS INSURGENTES CONTRA O REAL: SERGEI EISENSTEIN E ROGÉRIO SGANZERLA VÃO AO CINEMA DE MÃOS DADAS

MARIA LUIZA PROA

Apresentador(es): MARIA LUIZA PROA

Orientador(es): MANOEL RICARDO DE LIMA NETO


Área temática: LETRAS

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

O presente trabalho, Linguagens insurgentes contra o real: Eisenstein e Sganzerla vão ao cinema de mãos dadas, se trata de uma continuidade na linha de pesquisa lançada pelo plano anterior, Rogério Sganzerla: o cinema de um contemporâneo do futuro e dois leitores-cineastas possíveis e errantes, onde se propunha uma investigação por entre o laço cinema-literatura atravessada por uma ideia da vagabundagem enquanto tomada de posição política. Tomando a vagabundagem por uma ocupação da estrada e da errância, da margem à que se é levado por um poder cada vez mais hostil, busca-se um pensamento marginal à relação entre artes tida como corrente e tradicional, na qual se aproximam a narrativa cinematográfica e o romance realista. Questiona-se, aí, as possibilidades de um cinema, ou de uma linguagem cinematográfica, que leva as marcas, ainda literárias, da construção ensaística, da anotação, do que se relaciona com a realidade e o presente de maneira semi-documental. O ponto de partida para o desenvolvimento dessa questão vem do entendimento de Sergei Eisenstein acerca de uma linguagem cinematográfica que é posta em ação pela montagem, pelo conflito entre dois elementos que leva à exposição de um tema. Levando a ideia de montagem para além do encadeamento dos planos que formam um filme, Eisenstein pensa um mecanismo que se faz presente em todas as etapas da elaboração de imagens artísticas, também para além do cinema, uma vez que corresponde ao processo de formação das imagens mentais da memória e do pensamento. A imagem é tida aqui como resultante da colisão entre representações, entre fragmentos de uma percepção da realidade que, capturados e colocados em relação, dão forma a um significado, um conceito - toma forma, então, uma cadeia de representações intermediárias que se move sob a percepção de um objeto, de uma imagem. Pretende-se, pelo aprofundamento nas minúcias desse processo, a construção de imagens artísticas que, por meio da justaposição desses fragmentos e representações, possam levar à consciência do leitor-espectador imagem semelhante a que pairou sobre a visão interna do autor. Buscando uma aproximação com a obra de Rogério Sganzerla também enquanto autor-realizador, lê-se uma continuidade ou retomada em seus filmes e escritos dessas visões múltiplas frente a uma realidade fragmentada, feita de pedaços que se fazem cada vez mais dispersos pelo avanço do capitalismo e, na medida em que se inserem nessa experiência de realidade, da indústria cinematográfica. A inscrição do real e da experiência moderna, marginal, no cinema, em oposição à reencenação de um “real" único e neutro, “realista” e narrativo, se apropria dos mecanismos da montagem e os transforma, os revoluciona constantemente. Assim, pode-se pensar no desenvolvimento dessa linguagem por Sganzerla e outros autores-realizadores modernos e contemporâneos (Jairo Ferreira, Pedro Costa, Pasolini) que a colocam em movimento no cinema e na escrita, levando a cabo sua potência política.

Bibliografia

EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. Trad. Teresa Ottoni. Rio De Janeiro: Jorge Zahar, 2002. ________. A forma do filme. Trad. Teresa Ottoni. Rio De Janeiro: Jorge Zahar, 2002. SGANZERLA, Rogério; Rogério Sganzerla: textos críticos. Vol. 1 e 2. Florianópolis/São Paulo: Editora UFSC/Itaú Cultural, 2010. [Orgs. Manoel Ricardo de Lima e Sérgio Medeiros]

Palavras-chave

cinema escrita política montagem
Voltar