Orientador(es): FELIPE DE MORAES BORBA
Área temática: CIÊNCIA POLÍTICA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Devido a uma disparidade institucionalizada ao longo dos séculos, compreendeu-se que o homem participaria da esfera pública e suas decisões, enquanto a mulher permaneceria na esfera doméstica. Nesta análise, visamos, portanto, coletar dados relativos às violências políticas realizadas contra mulheres e discorrer sobre sua distribuição, principalmente quais tipos e subtipos têm tido predominância. Objetiva-se também propor uma análise dos casos de violência contra mulheres no meio político e, a partir disso, delimitar esboços iniciais de como se dá o fenômeno no cenário brasileiro atual. A construção do banco de dados realizada nesta pesquisa deu-se por meio do monitoramento de veículos digitais de mídia entre os meses de janeiro de 2018 e junho de 2025, utilizando, de início, buscas manuais na internet e, posteriormente, a ferramenta do Google Alerta. Os alvos de nossa busca foram políticos com e sem mandato, ex-candidatas, funcionárias da administração e familiares destas mesmas categorias. Dessa forma, obtivemos 3148 ocorrências. As informações das vítimas foram preenchidas de acordo com ferramentas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como a plataforma de Divulgação de Contas e Candidaturas Eleitorais. Utilizamos as seguintes variáveis para a constituição dos perfis dentro dessa análise: idade, sexo, escolaridade, raça, região, ano, tipo e subtipo de violência, e cargo. Os tipos de violência foram retirados do Livro de Códigos do Observatório da Violência Política e Eleitoral (OVPE) que engloba: a violência física (com subtipos de agressão, sequestro, atentado e homicídio), a violência psicológica (com subtipos de ameaças, ameaças de estupro, incitação à violência e disrupção), a violência econômica (com subtipos de roubo/furto, vandalismo e restrição de recursos), a violência sexual (com subtipos de estupro, importunação sexual e assédio sexual), e a violência semiótica (com subtipos de invisibilização, desqualificação e objetificação). Em um total de 3148 casos de violência eleitoral contidas no banco entre o período de 02/01/2018 a 30/06/2025, 2362 ocorreram com candidatos do sexo masculino e 786 com candidatas do sexo feminino, representando, respectivamente, 75,1% e 24,9%. Ao adentrarmos nesses 786 casos, observamos que, no que concerne aos cargos no momento da violência, 41,7% eram vereadoras, 32,4% estavam entre 30 e 39 anos, 48,21% são brancas, 72% possuem superior completo, 41,1% representavam o Sudeste, e 46,7% sofreram violência psicológica. Os resultados corroboram em formar perfis das vítimas para que possamos contribuir com o desenvolvimento dos estudos de violência política contra mulheres no Brasil e reiterar a importância das políticas públicas em prol da integridade, não apenas física, mas psicológica, semiótica, sexual e econômica das vítimas.
KROOK, M. L., Violence Against Women in Politics. 1ª edição. Oxford University Press Inc,. 2020.