CAMINHOS METODOLÓGICOS PARA A ORGANICIDADE NA DANÇA-TEATRO

RAVÍNIA SOBRINHO DA SILVA FERREIRA

Apresentador(es): RAVÍNIA SOBRINHO DA SILVA FERREIRA

Orientador(es): MARINA CAMPOS MAGALHAES


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

O projeto teve como objeto de pesquisa a área da dança-teatro, objetivando compreender o caminho metodológico para se achar a vida ou organicidade cênica em estruturas coreografadas, de maneira a construir um teatro que mantenha o rigor técnico e as particularidades que envolvem a dança sem perder o caráter relacional que envolve uma atuação viva. Para isso, foi organizado um laboratório com duração de 4 meses com atores-bailarinos, unindo alunos de música e teatro da Unirio e alunos de dança da UFRJ, para realização de um trabalho prático em cima do referencial teórico lido e fichado pela discente-bolsista, culminando na abertura de processo do espetáculo “Entre o Trem e a Plataforma”. Através do trabalho laboratorial, compreendeu-se que o desenvolvimento da organicidade, nesse caso aplicada à linguagem da dança-teatro, envolve uma transformação da forma não só de atuação, mas de relação com o mundo e com a sociedade. Ao invés de encontrar soluções imediatas ou métodos que conduzissem rapidamente a resultados práticos em cena, o processo revelou, sobretudo, os desafios enfrentados pelos atores para alcançar aquilo que, em sala, denominamos “trabalho celular”. Trata-se de um trabalho em que os atores não permanecem ensimesmados nem limitados a um jogo simplista de ação e reação, mas se inserem em um universo de co-dependência. Nesse contexto, relacionam-se não apenas com os demais intérpretes, mas também com os elementos cênicos e com a plateia, de forma semelhante ao funcionamento de uma célula biológica, na qual cada organela atua em interdependência com as demais, visando o equilíbrio e a vitalidade do organismo como um todo. Observou-se que os principais bloqueios para a realização desse tipo de trabalho estavam ligados tanto a questões artísticas quanto sociais, tornando possível elencar fatores que impedem o desenvolvimento da organicidade, como: individualismo, ensimesmamento, insegurança, engessamento expressivo, estrutura fixada de forma interna (contagem como única âncora da métrica), e traçar caminhos de exercícios que envolvem o trabalho dentro e fora de sala. A partir disso, conclui-se que o trabalho aqui desenvolvido, fornece importantes pistas sobre os principais bloqueios encontrados no desenvolvimento da organicidade na dança-teatro, abrindo caminhos para a continuidade da pesquisa, bem como fornece aos participantes do laboratório um repertório teórico-prático para seu trabalho dentro da linguagem.

Bibliografia

LIMA, Tatiana Motta. UMA CORRIDA TAL QUE SOMOS CAPAZES DE OLHAR CALMAMENTE EM VOLTA’: (RE)PENSANDO A NOÇÃO DE AÇÃO NO TRABALHO DO ATOR/ATRIZ. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, Belo Horizonte, p. 248–261, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos/article/view/15616. Acesso em: 14 ago. 2025. MILLER, Jussara. A escuta do corpo: sistematização da técnica Klauss Vianna. 4. ed. São Paulo: Summus, 2022. ISBN 9786555490626. RICHARDS, T.; PATRICIA FURTADO MENDONÇA; JERZY GROTOWSKI. Trabalhar com Grotowski sobre as ações físicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 2014.

Palavras-chave

Organicidade Atuação dança-teatro
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