Orientador(es): RAFAEL BRAGA GONÇALVES
Área temática: BIIOMEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ainda é um grande desafio de saúde pública, especialmente no contexto materno-infantil. Apesar dos avanços causados pela terapia antirretroviral (TARV), que reduziu drasticamente as taxas de transmissão durante gestação e parto, a amamentação ainda é contraindicada para mulheres vivendo com HIV independentemente do nível de carga viral. Essa orientação, ainda que protetiva, levanta questionamentos uma vez que o leite materno é reconhecido pelo seu papel fundamental não só nutricional, mas também como formador de vínculo entre mãe e filho. Dessa forma, é necessário avaliar a questão por uma perspectiva mais humanizada, que seja capaz de integrar segurança virológica com as necessidades sociais e psicológicas dessas mulheres. O presente estudo tem como objetivo determinar a carga viral do HIV no colostro de puérperas convivendo com o HIV, em paralelo com o acompanhamento dessas mulheres durante o pré-natal, para garantir se as recomendações atuais ainda são necessárias. Nesse estudo observacional, foram incluídas 22 puérperas acompanhadas no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), com idades entre 18 e 45 anos, diagnóstico confirmado de HIV e adesão regular comprovada à TARV durante o pré-natal. O acompanhamento foi realizado no ambulatório de Obstetrícia do HUGG, onde foi apresentado e assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As amostras de colostro foram coletadas nas primeiras horas após o parto e processadas em laboratório, em fase posterior da pesquisa. Durante o pré-natal, onde muitas vezes prevalecem orientações rígidas e restritivas, a abordagem das gestantes busca transformar esse momento em um espaço de acolhimento, escuta e respeito às individualidades de cada uma. Além de promover um cuidado mais humano, permite uma melhor compreensão da realidade dessas mulheres e identificação de aspectos essenciais que podem influenciar no estudo, como a adesão adequada à TARV. A hipótese do estudo é que, em mulheres com carga viral indetectável no plasma sanguíneo, o colostro também não apresentará níveis detectáveis do vírus, sugerindo um risco reduzido ou até inexistente de transmissão pelo aleitamento. Caso os resultados confirmem essa hipótese, abre-se a possibilidade de repensar protocolos que hoje proíbem de forma absoluta a amamentação por mães vivendo com HIV e contribuir para o vínculo materno-infantil. Até o presente momento, 19 amostras de colostro foram consideradas viáveis, sendo quatro com carga viral do vírus em limite abaixo do detectável, dez com carga viral indetectável e cinco com valores detectáveis. Esse trabalho busca, portanto, preencher uma lacuna científica relevante e, mais do que isso, tornar o acompanhamento pré-natal dessas mulheres um espaço de acolhimento e humanização. O momento é estratégico não apenas para prevenção da transmissão do HIV, mas também para utilizarmos práticas de escuta, integrando as dimensões científica e social.
Medeiros RCSC, Medeiros JA, Silva TAL, Andrade RD, Medeiros DC, Araújo JS, et al. Qualidade de vida, fatores socioeconômicos, clínicos e prática de exercício físico em pessoas vivendo com HIV/aids. Ver. Saúde Pública. 2017; 51:66. ROSA, M.; SILVA, N.; HORA, Vanusa da. Pathogenesis of HIV: virus characteristics and mother-to-child transmission. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande – FURG, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Fluxograma para prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis, hepatite B e C nas instituições que realizam parto. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.