ANÁLISE DA CARGA VIRAL DO COLOSTRO DE PUÉRPERAS VIVENDO COM HIV EM USO DE TERAPIA ANTIRRETROVIRAL (TARV)

ISABELLA NAVARRO DIAZ HORTA, RAPHAELA BARBOSA GONÇALVES SOUZA, LUIZ CLAUDIO PEREIRA RIBEIRO, RENATA DIAS REIS, BÁRBARA MOTTA, JULIA RODRIGUES CARVALHO ANCORA LUZ, THAIS MORAES ARAÚJO, JULIA FREITAS FERNANDES SANTOS, CAROLINA ROMÃO AZEVEDO, JULIA MONTEIRO JACARANDÁ, SANDY BORGES DE AGUIAR, WESCLEY NEVES MOREIRA, GUSTAVO MOURÃO RODRIGUES, BARBARA RODRIGUES GERALDINO, REGINA ROCCO, RAFAEL BRAGA GONÇALVES

Apresentador(es): ISABELLA NAVARRO DIAZ HORTA

Orientador(es): RAFAEL BRAGA GONÇALVES


Área temática: BIIOMEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ainda é um grande desafio de saúde pública, especialmente no contexto materno-infantil. Apesar dos avanços causados pela terapia antirretroviral (TARV), que reduziu drasticamente as taxas de transmissão durante gestação e parto, a amamentação ainda é contraindicada para mulheres vivendo com HIV independentemente do nível de carga viral. Essa orientação, ainda que protetiva, levanta questionamentos uma vez que o leite materno é reconhecido pelo seu papel fundamental não só nutricional, mas também como formador de vínculo entre mãe e filho. Dessa forma, é necessário avaliar a questão por uma perspectiva mais humanizada, que seja capaz de integrar segurança virológica com as necessidades sociais e psicológicas dessas mulheres. O presente estudo tem como objetivo determinar a carga viral do HIV no colostro de puérperas convivendo com o HIV, em paralelo com o acompanhamento dessas mulheres durante o pré-natal, para garantir se as recomendações atuais ainda são necessárias. Nesse estudo observacional, foram incluídas 22 puérperas acompanhadas no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), com idades entre 18 e 45 anos, diagnóstico confirmado de HIV e adesão regular comprovada à TARV durante o pré-natal. O acompanhamento foi realizado no ambulatório de Obstetrícia do HUGG, onde foi apresentado e assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As amostras de colostro foram coletadas nas primeiras horas após o parto e processadas em laboratório, em fase posterior da pesquisa. Durante o pré-natal, onde muitas vezes prevalecem orientações rígidas e restritivas, a abordagem das gestantes busca transformar esse momento em um espaço de acolhimento, escuta e respeito às individualidades de cada uma. Além de promover um cuidado mais humano, permite uma melhor compreensão da realidade dessas mulheres e identificação de aspectos essenciais que podem influenciar no estudo, como a adesão adequada à TARV. A hipótese do estudo é que, em mulheres com carga viral indetectável no plasma sanguíneo, o colostro também não apresentará níveis detectáveis do vírus, sugerindo um risco reduzido ou até inexistente de transmissão pelo aleitamento. Caso os resultados confirmem essa hipótese, abre-se a possibilidade de repensar protocolos que hoje proíbem de forma absoluta a amamentação por mães vivendo com HIV e contribuir para o vínculo materno-infantil. Até o presente momento, 19 amostras de colostro foram consideradas viáveis, sendo quatro com carga viral do vírus em limite abaixo do detectável, dez com carga viral indetectável e cinco com valores detectáveis. Esse trabalho busca, portanto, preencher uma lacuna científica relevante e, mais do que isso, tornar o acompanhamento pré-natal dessas mulheres um espaço de acolhimento e humanização. O momento é estratégico não apenas para prevenção da transmissão do HIV, mas também para utilizarmos práticas de escuta, integrando as dimensões científica e social.

Bibliografia

Medeiros RCSC, Medeiros JA, Silva TAL, Andrade RD, Medeiros DC, Araújo JS, et al. Qualidade de vida, fatores socioeconômicos, clínicos e prática de exercício físico em pessoas vivendo com HIV/aids. Ver. Saúde Pública. 2017; 51:66. ROSA, M.; SILVA, N.; HORA, Vanusa da. Pathogenesis of HIV: virus characteristics and mother-to-child transmission. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande – FURG, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Fluxograma para prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis, hepatite B e C nas instituições que realizam parto. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021.

Palavras-chave

HIV Colostro Puérperas
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