A INSERÇÃO DE HOMENS NA ENFERMAGEM PROFISSIONAL NO BRASIL NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

CAIO LUIZ ROSARIO DE ASSIS

Apresentador(es): CAIO LUIZ ROSÁRIO DE ASSIS

Orientador(es): OSNIR CLAUDIANO DA SILVA JUNIOR


Área temática: ENFERMAGEM

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A Enfermagem no Brasil se consolidou historicamente como profissão predominantemente feminina, associada aos atributos considerados inerentes ao gênero, como paciência, delicadeza e obediência. Apesar da abertura inicial da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, em 1890 para homens e mulheres,, discursos institucionais e sociais direcionaram a profissão para as mulheres, vinculando-a ao cuidado materno e doméstico. A inserção masculina ocorreu de forma restrita, justificada pela valorização de características como força física, resistência e capacidade de enfrentar situações consideradas críticas ou de risco, o que limitou a atuação dos homens a áreas específicas, como psiquiatria, enfermarias masculinas, transporte de pacientes e serviços de emergência e forças armadas. O estudo, de natureza histórico-social e documental, analisou fontes primárias e secundárias, incluindo legislações, livros, artigos científicos e textos clássicos, com aporte teórico da história das mulheres de Michelle Perrot. Os resultados evidenciam que a presença masculina na enfermagem foi frequentemente condicionada a estereótipos de gênero, reforçando a divisão sexual do trabalho. Obras como o Curso de Enfermeiros, de Adolpho Possolo, e documentos legais como a Lei nº 775/1949 e o Decreto nº 27.426/1949, embora tenham reconhecido a entrada de homens nos cursos de enfermagem, admitiram restrições, como a dispensa de estágios em obstetrícia e pediatria. Autoras como Mott e Oguisso destacam ainda a formação de homens durante a Primeira Guerra Mundial, motivada por necessidades bélicas e de força física, enquanto relatos de resistência de lideranças femininas da Enfermagem, como os de Laís Neto dos Reis, que revelam temores de que a presença masculina pudesse ofuscar o espaço conquistado pelas mulheres. Ao longo da primeira metade do século XX, a inserção de homens na profissão ocorreu lentamente, com baixo número de formandos e presença limitada em cargos de destaque. A análise evidencia que a naturalização do cuidado como vocação feminina não reflete uma essência biológica, mas uma construção histórica e cultural que moldou a divisão de papéis profissionais. A trajetória masculina na enfermagem brasileira permite compreender as tensões entre gênero, profissão e identidade, convidando à reflexão sobre os desafios atuais da categoria em direção a uma prática equitativa e representativa. O estudo reafirma a importância da história como instrumento crítico para compreender a profissão e fortalecer sua valorização no presente, com base na diversidade e na equidade de gênero.

Bibliografia

BRASIL. Lei nº 775, de 6 de agosto de 1949. Dispõe sobre o ensino de enfermagem no Brasil e dá outras providências. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, 9 ago. 1949. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Lei que determina gênero de profissional de Enfermagem de acordo com sexo do paciente é inconstitucional. Brasília, DF, 2024. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/lei-que-determina-genero-de-profissional-de-enfermagem-de-acordo-com-sexo-do-paciente-e-inconstitucional-e-pode-deixar-populacao-sem-assistencia-a-saude-no-mato-grosso/#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20pesquisa,da%20popula%C3%A7%C3%A3o%20brasileira%20%C3%A9%20masculina. Acesso em: 2 ago. 2025. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM Lei que discriminava sexo de profissional de Enfermagem é revogada no Mato Grosso. Disponível em: https://www.coren-es.org.br/lei-que-discriminava-sexo-de-profissional-de-enfermagem-e-revogada-no-mato-grosso/ Acesso em 06/08/2025 CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Pesquisa inédita traça p

Palavras-chave

Enfermagem História da Enfermagem Gênero Profissão Masculinidade Identidade profissional
Voltar