Orientador(es): TÂNIA CRISTINA DE OLIVEIRA VALENTE
Área temática: SAÚDE COLETIVA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
A presente pesquisa buscou analisar criticamente a representação do imaginário coletivo a partir das obras retratadas no software Google Arts and Culture, buscando identificar a não neutralidade da curadoria algorítmica de mecanismos de busca, que buscam reproduzir padrões sociais dominantes conforme discutido por Manovich (2020) e Halbwachs (2004). Partindo de uma abordagem qualitativa e exploratória foram selecionadas 58 imagens únicas as quais foram submetidas a um instrumento de análise,elaborado pelos autores com o objetivo de analisar de forma técnica e subjetiva as imagens, fundamentando-se principalmente nos princípios descritos por Rose (2016) para análise visual.Voltando-se especificamente para a representação dos transtornos psiquiátricos mais conhecidos, este trabalho usou os termos depressão, depression, ansiedade, anxiety, esquizofrenia, schizophrenia, bipolaridade e bipolarity para a pesquisa das imagens que foram selecionadas segundo o seguinte critério: Maior capacidade de evocar sentimentos e sensações nos autores, causando portanto o maior impacto emocional. Dessa forma foram elaboradas as seguintes perguntas a respeito de cada imagem para o instrumento: A imagem apresenta cores frias ou quentes?;A imagem foi feita em preto e branco ou colorido?;Qual a cor do fundo?;Qual o número de figuras humanas na imagem?;Qual o período histórico da imagem?;Como é(são) a(s) expressão(ões) faciais?;Como é retratado o uso das mãos?. Por fim tais perguntas foram respondidas pelo autor e também por uma inteligência artificial (IA), buscando comparar a análise humana com a análise automatizada, identificar as semelhanças e divergências nessas interpretações e avaliar em que medida a IA usada reproduziria os padrões e vieses alinhados ao sistema vigente hetero-cisnormativo, branco, racista e capitalista. Tal análise evidenciou o padrão citado acima nas representações selecionadas a partir da predominância de figuras humanas brancas e que vão de encontro com o padrão dominante em detrimento de pessoas pretas, pessoas queer, pessoas gordas e outros grupos marginalizados, mostrando os algoritmos ligados a plataforma de busca Google Arts and Culture contribuem para manutenção do imaginário coletivo alinhado com interesses das classes dominantes. Também foi constatada uma divergência significativa na resposta comparativa entre IA e observador humano com destaque para a invenção de objetos não presentes na imagem que corroborassem para a narrativa criada pela própria IA, mostrando então que a interpretação “subjetiva” estaria comprometida mesmo com a lógica e capacidade técnica superior a de um leigo na área. Esse estudo reforça a ideia de que não há neutralidade nos algoritmos ligados a este tipo de tecnologia e que os mesmos podem apresentar um comportamento que sugira a manutenção de um imaginário coletivo representativo dos interesses hegemônicos em nossa sociedade.
HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Centauro, 2004. MANOVICH, Lev. Cultura e interfaces digitais: o software toma o comando. São Paulo: Unesp, 2020. ROSE, G. Visual Methodologies: An Introduction to Researching with Visual Materials. 4. ed. London: SAGE, 2016.