MULHERES NA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA: VAMOS FALAR SOBRE HIPÁTIA?

CINDY FERREIRA DE PAULA

Apresentador(es): CINDY FERREIRA DE PAULA

Orientador(es): ALINE CAETANO DA SILVA BERNARDES


Área temática: MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

O estudo realizado teve como motivação a baixa representatividade das mulheres no desenvolvimento da matemática nos livros didáticos de matemática aprovados pelo PNLD, com ênfase nas informações históricas apresentadas. De acordo com as investigações realizadas pelo CHEMat (Coletivo de História no Ensino de Matemática), apenas uma matemática foi citada dentre as oito coleções de matemática aprovadas no PNLD 2018 (Ensino Médio) e três coleções do PNLD 2020 (anos finais do Ensino Fundamental). A mulher citada foi a iraniana Maryam Mirzakhani – a primeira mulher a ganhar a medalha Fields, um dos prêmios mais prestigiosos da matemática (Amadeo; Bernardes; Teixeira, 2023). Desse modo, a ausência de mulheres nas narrativas históricas dos livros de matemática reforçam a desigualdade de gênero na Matemática. Como esperar que meninas se interessem por se tornarem matemáticas (ou físicas, engenheiras, entre outras áreas), se elas não se veem representadas? Assim, o objetivo geral da pesquisa foi promover uma representatividade das mulheres matemáticas na educação básica e na formação de professores, possibilitando que estudantes meninas se identifiquem com essa ciência. A metodologia foi baseada inicialmente em uma pesquisa bibliográfica, considerando referências que discutem a desigualdade de gênero na matemática (como Roque, 2024) e em referências com biografias de mulheres que contribuíram para a matemática (como Kitagawa, Revell, 2025). Este segundo eixo nos ajudou a selecionar a matemática, filósofa e astrônoma Hipátia para se aprofundar em sua trajetória. Após a escolha da personagem, selecionamos o livro de Deakin (2007) para conhecer as contribuições e a trajetória de Hipátia. Dentre os aspectos de sua vida que aprendemos com este estudo, citamos sua educação excepcional para uma mulher do século V aprendendo filosofia, matemática e astrologia, resultando em uma professora respeitada e chefe da escola em Alexandria. Além de comentar obras conhecidas no meio matemático para que essas fossem mais acessíveis. O passo seguinte da pesquisa será elaborar um produto educacional, contendo uma atividade voltada para a educação básica, inspirada em uma das contribuições de Hipátia. A única inserção histórica em que uma mulher é citada (Bianchini, 2018, p. 38) nos livros didáticos analisados pelo CHEMat foi analisada por nós. Observamos que o nome de Maryam Mirzakhani aparece na legenda de uma imagem, ela não é citada no texto principal da inserção. Nosso intuito é elaborar uma atividade em que o papel importante que Hipátia representava em Alexandria, como professora e colaboradora das obras editadas por seu pai Theon, seja destacado.

Bibliografia

BIANCHINI, Esther. Matemática: 6º ano: ensino fundamental: anos finais. 6. ed. São Paulo: Moderna, 2018. DEAKIN, Michael A. B. Hypatia of Alexandria – Mathematician and Martyr. New York: Prometheus Books, 2007. ROQUE, Tatiana. Do que falamos quando pedimos mais igualdade de gênero? In: ______. Mulheres na ciência: o que mudou e o que ainda precisa mudar? Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2024. AMADEO, Marcello; BERNARDES, Aline; TEIXEIRA, Wilza Maria. História da matemática nos livros didáticos: uma análise de coleções do PNLD 2018 e 2020. Anais - Seminário Nacional de História da Matemática, v. 15, 2023. KITAGAWA, Kate; REVELL, Timothy. A vida secreta dos números: uma história global da matemática e seus pioneiros desconhecidos. São Paulo: Crítica, 2025.

Palavras-chave

Desigualdade de Gênero; Hipátia Mulheres na Matemática; Livro didático de Matemática; História da Matemática
Voltar