Orientador(es): VALERIA CRISTINA SOARES FURTADO BOTELHO
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Fazem parte de uma gestação de alto risco, condições clínicas como diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial (HA), pré-eclâmpsia, eclâmpsia e parto prematuro, fatores que podem contribuir para um desfecho materno-infantil negativo. A assistência nutricional pré-natal em gestações de alto risco é fundamental para a saúde materna e fetal. O objetivo do estudo é descrever características sociodemográficas e o perfil clínico-nutricional de gestantes de risco atendidas no Ambulatório de Nutrição no Setor de Obstetrícia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG). Estudo transversal, realizado durante as consultas no Ambulatório de Nutrição de pré-natal de risco, com gestantes encaminhadas pela equipe de obstetras do Ambulatório de Obstetrícia. Utilizou-se protocolo de coleta de dados, incluindo características sociodemográficas (etnia, situação conjugal, renda, escolaridade e realização de atividade remunerada), dados clínicos e obstétricos (diagnóstico clínico e histórico gestacional), hábitos e estilo de vida (atividade física, número de refeições ao dia, substituição de refeição principal por lanche e horário regular para comer) e avaliação antropométrica (peso, estatura e índice de massa corporal-IMC). Para participação no estudo as gestantes assinaram o TCLE, de acordo com a Resolução Nº 466/12. Foi realizada avaliação descritiva dos dados. Foram avaliadas 144 gestantes de alto risco, com idade média de 30,1±6,5 anos, apresentando DM, HA, obesidade e hipotireoidismo. A maioria das gestantes era casada ou em união estável (72%;n=104), se autodeclarou parda ou negra (69%;n=99), possuía ensino médio completo (51%;n=73), possuía atividade remunerada (62%;n=89) e renda familiar de 1-2 salários-mínimos (59%;n=85). Apenas 18% (n=26) iniciou acompanhamento nutricional no 1o trimestre gestacional; sendo 43% das mulheres nulíparas, sem parto anterior (n=62). Somente 17% (n=24) das mulheres afirmaram praticar atividade física, 61% (n=89) realizavam 3-4 refeições/dia e 59,7% (n=86) trocavam almoço e jantar por lanches. As mulheres iniciaram a gestação com excesso de peso corporal, com IMC pré-gestacional de 31,87±6,9kg/m2 (obesidade grau 1). Destaca-se que 75% (n=108) das gestantes apresentavam excesso de peso corporal (sobrepeso ou obesidade). A obesidade está associada à resistência insulínica, diabetes e hipertensão gestacional, situação verificada no presente estudo. Gestantes com obesidade correm risco aumentado de complicações durante a gravidez, com maiores riscos observados em grávidas que apresentam alto ganho de peso gestacional. Os dados apresentados apontam a importância do encaminhamento das gestantes de risco ao Nutricionista no início do pré-natal, de forma a realizarem tratamento e acompanhamento nutricional individualizado, auxiliando assim no controle do ganho de peso gestacional a fim de prevenir desfechos gestacionais negativos.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2022. ISAACS, Nazeema Zainura; ANDIPATIN, Michelle Glenda. A systematic review regarding women’s emotional and psychological experiences of high-risk pregnancies. BMC Psychology, v. 8, n. 1, 3 maio 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s40359-020-00410-8. ZHANG, Cindy X. W.; CANDIA, Alejandro A.; SFERRUZZI-PERRI, Amanda N. Placental inflammation, oxidative stress, and fetal outcomes in maternal obesity. Trends in Endocrinology & Metabolism, fev. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.tem.2024.02.002.