Orientador(es): NILTON JOSÉ DOS ANJOS DE OLIVEIRA
Área temática: FILOSOFIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A virtualização da experiência, por meio de dispositivos técnicos, se impõe mais rápido do que qualquer tentativa de regulação e esbarra em interesses de corporações que transformam a experiência humana em dados, capturando emoções, gestos e atenção como matéria-prima para algoritmos de previsão e controle. Este trabalho parte da concepção do riso para investigar sua atualização nas formas digitais contemporâneas, sobretudo nos memes. Se antes o riso operava como gesto de coesão e desvio, hoje se desloca para as redes, onde é capturado e reconfigurado por dispositivos técnicos e interesses econômicos. A passagem do riso à forma memética evidencia como a comicidade se inscreve em um novo regime de virtualização e de hipertrofia sensível, articulando memética, estética e hipermediação técnica, com os memes como chave de leitura para a lógica de captura que marca a experiência contemporânea. O objetivo é investigar de que modo a hipermediação técnica captura o riso/meme e o converte em dado estético circulável, examinar criticamente os efeitos do excesso sensível sobre a experiência estética e confrontar a função ideológica dos memes enquanto dispositivos de dominação cultural. A metodologia combina análise qualitativa de um corpus de memes por amostragem em plataformas, leitura crítica das affordances técnicas (formato, métricas, automação de fluxo) e um procedimento analítico que articula descrição formal do objeto, análise das práticas de circulação (remix, repost, timing, performance) e interpretação conceitual à luz de teoria crítica, ontologia do virtual e filosofia da técnica. Resultados parciais indicam a recorrência de operações de descontextualização, reprogramação e recodificação afetiva que amplificam a circulação memética; o papel das interfaces na produção de hiperestesia por sobrecarga informacional e atenção contínua; e a conversão do riso em sinal preditivo integrado a métricas de visibilidade e valor. Considerações parciais sugerem que a comicidade digital funciona como filtro ideológico que estabiliza a adesão a regimes de visibilidade e controle. Espera-se consolidar um modelo que articule virtualização, técnica e economia de dados como matriz de reorganização da sensibilidade e da comicidade.
BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio D’Água, 1991. DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988. FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985.