MEMÓRIA, REPRESENTAÇÃO E AUTOIMAGEM: UMA LEITURA CRÍTICA DO ÁLBUM FOTOGRÁFICO DE 1953 DE VICTÓRIO CANEPPA

LEONARDO DE OLIVEIRA PATROCINIO

Apresentador(es): LEONARDO DE OLIVEIRA PATROCINIO

Orientador(es): FRANCISCO RAMOS DE FARIAS


Área temática: MEMÓRIA SOCIAL

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

O presente trabalho analisa o álbum fotográfico do Seminário Latino-Americano de 1953, pertencente ao acervo do penitenciarista Victório Caneppa, com o intuito de compreender a fotografia como documento de memória e instrumento de construção de autoimagem. Produzidas no contexto do segundo governo Vargas, as imagens não se limitam a registros institucionais, mas revelam estratégias de legitimação e afirmação pessoal que ajudaram a consolidar Caneppa como liderança no campo prisional. Parte-se da premissa de que a fotografia, além de seu caráter documental, adquire valor simbólico, funcionando como ferramenta de representação social, meio de difusão de discursos oficiais e suporte de projetos de poder individual. O objetivo é problematizar o protagonismo assumido pelo gestor nas composições visuais do álbum e compreender como esses registros dialogam com as narrativas de modernização penitenciária do período. A metodologia fundamenta-se na análise crítica de documentos sensíveis, considerando o álbum como fonte que, ao mesmo tempo em que conserva traços do passado, é atravessada por intencionalidades e disputas simbólicas. O procedimento envolveu o exame da materialidade das fotografias, das condições de produção e circulação do acervo e das formas de representação do protagonista, com atenção à sua centralidade nos enquadramentos e à proximidade com autoridades nacionais e internacionais. Esse percurso buscou integrar aspectos históricos, simbólicos e políticos do material, de modo a revelar tanto a função informativa quanto os usos estratégicos da fotografia como recurso de memória. Os resultados evidenciam que o álbum desempenha papel ativo na construção da memória institucional e individual, funcionando como dispositivo de legitimação política e social. A análise mostra que as imagens, ao destacarem Caneppa em posições de liderança, projetam sua imagem em consonância com os ideais de modernização penitenciária do governo Vargas, mas também delimitam um espaço de autoafirmação pessoal. Observa-se que as fotografias, embora preservem informações históricas relevantes, selecionam, ocultam e direcionam memórias, reforçando representações convenientes ao gestor e às instituições. As considerações finais apontam que a pesquisa contribui para ampliar o entendimento das relações entre fotografia, memória e poder, além de reconhecer o acervo de Caneppa como patrimônio documental que merece ser preservado e debatido em âmbito acadêmico e social. A investigação ressalta ainda a necessidade de leituras críticas que superem interpretações superficiais da imagem como simples evidência, destacando sua condição de construção simbólica e histórica. Como perspectivas futuras, sugere-se aprofundar os estudos sobre o uso da fotografia na constituição de identidades profissionais e institucionais, assim como seu papel nas disputas de memória e poder em contextos marcados por desigualdades, tensões políticas e processos de legitimação.

Bibliografia

COSTA, Damiana Marques da. A fotografia como fonte de informação no resgate da memória institucional: o passado no presente. João Pessoa: UFPB, 2016. PERON, Valéria Bernini. Acervo imagético Victório Caneppa: memórias subterrâneas do sistema penitenciário brasileiro na Era Vargas a partir do álbum de fotografias de viagens à Espanha, França e Portugal em 1952. 2023. 64 f. TCC (Graduação em Biblioteconomia) – UNIRIO, Rio de Janeiro, 2023. THIESEN, Icléia. Documentos sensíveis, arquivos sensíveis: nem tesouros, nem miragens. In: ENANCIB, 13., 2012. Anais [...]. [S. l.: s. n.], 2012.

Palavras-chave

Caneppa memória fotografia prisão.
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