Orientador(es): PEDRO ROCHA DE OLIVEIRA
Área temática: FILOSOFIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Partimos de um interesse em compreender fenômenos culturais e subjetivos contemporâneos, à luz do materialismo e com uma intenção crítica. Sentíamos uma insatisfação com explicações puramente econômicas, morais ou idealistas sobre a falta de liberdade do sujeito no seio da sociedade industrial avançada. A angústia sentida pelo indivíduo moderno, cujas necessidades biológicas parecem atendidas, tem um conteúdo particular ao contexto histórico, e não pode ser explicada por um conceito a-histórico de sujeito ou por um "dado" ontológico. Por isso a sugestão do orientador em estudar tais questões à luz da teoria crítica e sua interseção com a psicanálise, em Marcuse. Nosso objetivo inicial é explicitar a divergência histórica entre progresso civilizacional e progresso humanitário, e como isso é dissimulado pelo discurso filosófico da modernidade. Em seguida, mostrar os desdobramentos dessa tensão no nível social e no nível individual, com auxílio da análise marcuseana. Partiremos então para a proposta de uma metapsicologia social como ferramenta de compreensão das contradições reais do mundo. Por fim, compartilharemos as propostas de Marcuse para uma reorientação da noção de progresso com base na metapsicologia e na estética. A principal via metodológica foi a leitura de parte da obra de Herbert Marcuse e de sua principal referência: Sigmund Freud. A intenção é uma leitura atenta e de interpretação crítica, buscando a intertextualidade entre diferentes artigos e ensaios destes autores. Faremos uso de referências outras da teoria crítica, como Theodor Adorno e Sigmund Kracauer, bem como comentadores mais recentes. Eventualmente, referências culturais serão mobilizadas como modo de ampliar a compreensão e abrir novos caminhos. Como modo de apresentação, usaremos simplesmente a fala e o diálogo. Queremos tornar acessível a um público maior a compreensão da teoria crítica e de sua mobilização da psicanálise. A apresentação é um convite ao debate acerca da subjetividade moderna e da noção de progresso - noção corrente e amplamente mobilizada no cotidiano midiático e interpessoal. Tensionar um termo que, ao nosso ver, é instrumentalizado por discursos das mais diversas orientações, mas cuja carga semântica, densa, é ocultada ou ignorada. Se possível, será bem sucedida a defesa de nosso ponto de vista, a saber, a de que a noção de progresso, modernamente construída, está ligada a interesses exploratórios e extrativistas que não podem levar jamais à emancipação do humano e da natureza.
FREUD, S. "Obras completas". In: Edição Standard Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1970. MARCUSE, H. "Cultura e psicanálise". São Paulo: Paz & Terra, 2001. ______________ "Eros e Civilização". São Paulo: Círculo do Livro, 1970. ______________ "Five lectures: psychoanalysis, politics and utopia". Boston: Beacon Press, 1970.