BOSUTINIBE COMO MODULADOR DA RESPOSTA DE MICROGLIAS À INFLAMAÇÃO INDUZIDA POR LIPOPOLISSACARÍDEO (LPS)

PAULO GUILHERME FREITAS SAYÃO

Apresentador(es): PAULO GUILHERME FREITAS SAYÃO

Orientador(es): CASSIANO FELIPPE GONÇALVES DE ALBUQUERQUE


Área temática: BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A sepse é uma das principais causas de mortalidade no mundo e caracteriza-se por uma resposta inflamatória sistêmica desregulada, que pode levar à falência de múltiplos órgãos. Entre as complicações, destaca-se a encefalopatia associada à sepse (EAS), em que a inflamação compromete o sistema nervoso central, afetando a barreira hematoencefálica e ativando de forma exacerbada as células microgliais. Essas células, principais fagócitos residentes do cérebro, podem adotar um fenótipo pró-inflamatório (M1), liberando citocinas e espécies reativas de oxigênio que contribuem para disfunção neuronal e alterações cognitivas. Assim, a modulação da ativação microglial surge como um alvo promissor para terapias em doenças inflamatórias do SNC. O bosutinibe, um inibidor de tirosina quinase (TKI) aprovado para leucemia mieloide crônica, tem sido investigado em estratégias de reposicionamento de fármacos devido ao seu potencial efeito anti-inflamatório. Ele atua bloqueando quinases da família Src, associadas à ativação de receptores como o TLR4 e à regulação de vias intracelulares cruciais, incluindo NF-κB e STAT3. Considerando essa ação, buscou-se avaliar se o bosutinibe poderia atenuar a resposta inflamatória induzida por lipopolissacarídeo (LPS) em microglias murinas (linhagem BV2), modelo in vitro amplamente utilizado. Foram realizados experimentos com tratamento prévio das células com bosutinibe (300 nM e 500 nM) seguido de estímulo com LPS. As análises envolveram Western Blot e imunofluorescência, com foco na morfologia celular, organização do citoesqueleto (β-tubulina), além da ativação das vias de sinalização NF-κB (p65) e STAT3. Os resultados mostraram que o LPS promoveu forte ativação inflamatória, evidenciada pelo aumento da fosforilação de p38 e p65, maior translocação nuclear de p65, elevação da STAT3 e mudanças morfológicas com células mais arredondadas e desorganização do citoesqueleto. O bosutinibe reduziu parcialmente esses efeitos, com a dose de 300 nM apresentando melhor desempenho: menor translocação nuclear de p65, preservação relativa da morfologia e discreta redução de STAT3. Já na concentração de 500 nM, os efeitos protetores foram menos consistentes. A análise de colocalização confirmou o potencial do bosutinibe em limitar a ativação da via NF-κB, embora não tenha revertido totalmente os efeitos do LPS. Esses achados indicam que o fármaco exerce efeito modulador, mas não supressivo, sugerindo que sua atuação pode estar relacionada ao bloqueio seletivo de quinases Src. Conclui-se que o bosutinibe apresenta potencial terapêutico como modulador da inflamação microglial, atuando principalmente sobre a via NF-κB e na preservação estrutural celular. No entanto, devido às limitações do estudo — modelo in vitro e número restrito de experimentos —, são necessários novos ensaios, sobretudo in vivo, para confirmar seu papel na sepse e definir sua aplicabilidade clínica.

Bibliografia

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Palavras-chave

bosutinibe inflamação sepse microglias
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