Orientador(es): KELVIN FALCÃO KLEIN
Área temática: LETRAS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Introdução O conto A Casa de Asterion, de Jorge Luis Borges, revisita a figura mítica do Minotauro a partir de uma perspectiva singular: a do próprio monstro. O texto constrói um narrador que oscila entre ternura, violência e esperança, revelando uma experiência marcada pela solidão e pela espera do redentor. Esta pesquisa parte da leitura comparada do conto em suas diferentes traduções e edições para analisar como a figura de Asterion articula, por meio da linguagem, uma reflexão sobre alteridade, clausura e humanidade. Objetivos 1. Analisar a representação do Minotauro em A Casa de Asterion como metáfora da solidão e da marginalidade. 2. Investigar o papel da tradução na construção de sentidos, com foco na ambiguidade do advérbio “apenas”. 3. Relacionar o conto de Borges a tradições intertextuais, como a Bíblia, Dante e o mito clássico, e a reflexões teóricas sobre linguagem e alteridade. Metodologia A pesquisa desenvolveu-se a partir de leitura comparada de diferentes versões do conto (em espanhol, português e inglês), de seu diálogo com outras obras de Borges e da fortuna crítica (Tilney, Giovanni, Bataille). O método foi exploratório e interpretativo, articulando crítica literária e teoria comparada, com ênfase em categorias como solidão, tradução e intertextualidade. Resultados A análise destacou a centralidade da solidão como chave de leitura do conto, entendida como experiência existencial e metafísica. Identificou-se ainda que a tradução do advérbio “apenas” produz interpretações divergentes do desfecho narrativo, variando entre “se defendeu pouco” e “nem sequer se defendeu”, o que altera o estatuto do gesto final do Minotauro entre luta, hesitação ou sacrifício. O estudo também evidenciou como Borges reelabora o mito ao incorporar referências bíblicas (Livro de Jó), dantescas e pictóricas (George Watts), tensionando fronteiras entre humano e monstruoso. Conclusão A leitura de A Casa de Asterion revela que Borges mobiliza a figura do Minotauro como metáfora da condição humana em sua dimensão de isolamento e desejo de redenção. A ambiguidade da tradução, a intertextualidade e a construção narrativa em primeira pessoa reforçam a complexidade do conto, que oscila entre violência e ternura. Assim, o texto se apresenta como um laboratório para pensar, ao mesmo tempo, a solidão individual e os limites da linguagem na literatura.
Referências BATAILLE, Georges. O ânus solar (e outros textos do Sol). Lisboa: Assírio & Alvim, 2007. BORGES, Jorge Luis. O Aleph. Porto Alegre: Globo, 1972. BORGES, Jorge Luis. El Aleph. Madrid: Alianza Editorial, 2001. BORGES, Jorge Luis. Labyrinth and Other Stories. New York: New Directions, 1964. BORGES, Jorge Luis. “The House of Asterion”. Review Literature and Arts of the Americas, v. 7, n. 10, 2012. GIOVANNI, Norman Thomas de. “Review: The House of Asterion”. Review Literature and Arts of the Americas, v. 7, n. 10, 2012. TILNEY, Martin. “Waiting for Redemption in The House of Asterion: A Stylistic Analysis”. Open Journal of Modern Linguistics, v. 2, n. 2,2012