O FOGO NAS PAISAGENS E ÁREAS PROTEGIDAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NAS ÚLTIMAS DUAS DÉCADAS: DINÂMICA, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E EXPOSIÇÃO

JOÃO VICTOR RODRIGUES MENDES, BRENO RODRIGUES ALVES CAMPITELLI DE SANTA MARIA, MARIA LUCIA LORINI

Apresentador(es): JOÃO VICTOR RODRIGUES MENDES

Orientador(es): MARIA LUCIA LORINI


Área temática: CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DA TERRA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

As florestas tropicais são ambientes ricos em espécies e constituem um dos principais componentes da biosfera terrestre. Para estes ambientes o fogo é um distúrbio dominante que altera a biomassa, a estrutura do ecossistema e a composição das espécies, além de aumentar as emissões de carbono e aerossóis, podendo impactar o ciclo do carbono e as condições climáticas por longos períodos e em várias escalas. Incêndios podem ser eventos desastrosos, causando enormes impactos negativos ao ambiente natural, infraestrutura, biodiversidade e saúde humana. Nos últimos anos incêndios florestais tornaram-se foco da atenção pública, com destaque para incêndios na Austrália, Canadá e Pantanal brasileiro, onde cerca de 30% do bioma queimou em 2020. Assim, entender o impacto das queimadas na vegetação, na biodiversidade e nas áreas protegidas em ecossistemas florestais do mundo tornou-se imperativo. O presente estudo visou analisar a dinâmica dos eventos de fogo ocorridos entre 2000 e 2021 nas paisagens do estado do Rio de Janeiro, quantificando as áreas queimadas ao longo das últimas duas décadas em relação aos municípios, tipo de cobertura da terra e Unidades de Conservação. O estudo das áreas queimadas anualmente no estado do Rio de Janeiro foi realizado utilizando dados matriciais do módulo anual da coleção 2.0 de cicatrizes de fogo do projeto Mapbiomas e de cobertura da terra da coleção 7.0. Os dados de cada ano da série foram primeiramente reprojetados para coordenadas planas para os cálculos das áreas. Através de álgebra de mapas entre o dado de áreas queimadas e do dado reclassificado de cobertura foi possível calcular as áreas queimadas em vegetação primária e vegetação secundária. Os cálculos de áreas queimadas por classe, representando o fogo em cada ano nas classes Floresta, Agropecuária e Formação Natural Não Florestal, foram gerados das estatísticas do módulo anual da coleção do Mapbiomas Fogo. Os cálculos de áreas queimadas nos municípios e Unidades de Conservação foram realizados através de estatística zonal no QGIS. A análise das áreas queimadas anuais totais no estado do Rio de Janeiro na série temporal de 2000 a 2021 revelou uma dinâmica de grande oscilação entre os anos, com maiores picos em 2001, 2006, 2007 e 2011. A área queimada acumulada total alcançou quase 10% da área total do estado. Queimadas foram maiores nas áreas agropecuárias. Vegetação primária foi mais queimada do que secundária. Os três municípios com maior área queimada foram Campos, Valença e Itaperuna. Queimadas afetaram mais as UCs de Uso Sustentável do que as de Proteção Integral. As UCs com maior área queimada foram a APA de Petrópolis e a APA do Rio Guandu. O Parque Nacional de Itatiaia destacou-se pela maior porcentagem afetada (7,6%). Nossos resultados indicam considerável exposição ao fogo nas paisagens do Rio de Janeiro nas últimas décadas, o que pode expor os últimos remanescentes de vegetação a este distúrbio, mesmo aqueles dentro de áreas protegidas.

Bibliografia

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Palavras-chave

Fogo / Incêndios florestais Unidades de Conservação Análises espaciais e temporais Mata Atlântica
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