MÚLTIPLAS VOZES NA EXPOSIÇÃO “ENTRE SOL E SOMBRAS”: A EXPOSIÇÃO CURRICULAR COMO LABORATÓRIO PARTICIPATIVO

KAYLANE RATON DE ALMEIDA

Apresentador(es): KAYLANE RATON DE ALMEIDA

Orientador(es): JULIA NOLASCO LEITAO DE MORAES


Área temática: MUSEOLOGIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A partir da segunda metade do século XX, os museus foram provocados a se debruçar sobre os interesses e necessidades da sociedade, rompendo com a comunicação vertical e o foco exclusivo em seus acervos. Nesse contexto, passaram a ser entendidos como campo de inesgotáveis disputas por protagonismo e poder de decisão, mobilizando diversas formas e níveis de abertura aos públicos. O objetivo deste trabalho consiste na apresentação da aplicação de conceitos e procedimentos metodológicos obtidos graças a levantamento bibliográfico, mapeamento e observação de iniciativas participativas em museus, com especial foco em exposições no âmbito do plano de estudo “Horizontes da Participação dos Públicos nos Museus: mapeamento, monitoramento e análise de iniciativas participativas em curso em museus brasileiros”, junto ao desenvolvimento da exposição curricular do curso integral de Museologia da UNIRIO intitulada “Entre sol e sombras: uma viagem pelos contrastes das praias cariocas”. A referida mostra foi realizada em fevereiro de 2025 no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana e para tanto foi desenvolvido um conjunto de iniciativas com o intuito de estabelecer interlocuções com sujeitos sociais que vivenciam cotidianamente as desigualdades dos usos das praias do Rio de Janeiro. Assim, realizou-se revisão bibliográfica sobre metodologias não-extrativistas de colaboração e textos que tratam dos diferentes níveis de participação em museus, considerando o nível de poder decisório dos grupos envolvidos. Integrando grupo de trabalho da exposição responsável pelo estabelecimento de mediações e colaborações e com a referida base teórica, foram realizados os seguintes procedimentos: sondagem e contato com os possíveis colaboradores da exposição através de redes sociais; visitas aos locais de atuação desses sujeitos; observação e/ou integração às atividades praticadas pelos sujeitos, a fim de criar laços de confiança e, dessa forma, evitar uma postura extrativista e apartada da realidade dos colaboradores; convite aos sujeitos para compor a equipe da exposição, na condição de colaboradores, e recepção na UNIRIO para apresentação em dinâmica coletiva do projeto de exposição; diálogo para levantamento de itens de acervo que pudessem representar os colaboradores numa perspectiva em primeira pessoa (autorrepresentação); tomada de depoimentos para documentário produzido pela turma e reproduzido na exposição, entre outros. A exposição constitui-se como laboratório que permitiu o aprofundamento teórico acerca dos desafios, das complexidades e das riquezas de ações participativas, assim como propiciou a vivência aplicada de todas essas dimensões indissociáveis de dinâmicas participativas em museus.

Bibliografia

Fasanello, M. T. Nunes, J. A. Porto, M. F. (2018). Metodologias colaborativas não extrativistas e comunicação: articulando criativamente saberes e sentidos para a emancipação social. Revista Eletrônica De Comunicação, Informação & Inovação Em Saúde, 12(4). QUEROL, Lorena Sancho. PARTeCIPAR: ensaio formal sobre o conceito, as práticas e os desafios de participação cultural em museus. Etnicex: revista de estúdios etnográficos, n. 8, p. 83-100, 2016.

Palavras-chave

Metodologias colaborativas aplicadas aos museus participação dos públicos nos museus metodologias colaborativas não-extrativistas.
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