Orientador(es): FABIO VERISSIMO CORREIA
Área temática: CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DA TERRA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
Os mexilhões são amplamente consumidos devido ao baixo custo e elevado valor nutricional. Contudo, em razão de sua alimentação por filtração, esses organismos podem bioacumular contaminantes tóxicos em seus tecidos. Assim, sua análise representa uma ferramenta relevante para compreender a distribuição de poluentes no ambiente e estimar os riscos potenciais à saúde humana. O estudo teve como objetivo analisar a concentração de metais e metalóides no ambiente sobre o mexilhão Perna perna em praias do Rio de Janeiro, e avaliar os efeitos de estresse oxidativo com atividades de proteínas e enzimas. As coletas foram realizadas na estação seca de 2023 em quatro praias do Rio de Janeiro (Arpoador, Diabo, Vermelha e Urca), totalizando 64 indivíduos por local. No laboratório, os mexilhões foram dissecados e os tecidos (brânquias, músculo, gônada e glândula digestiva) analisados. A quantificação de metais foi realizada por ICP-MS, enquanto biomarcadores de estresse oxidativo (metalotioneína – MT, glutationa reduzida – GSH, peróxido de hidrogênio – H₂O₂ e peroxidação lipídica – PL) foram determinados por espectrofotometria. As análises estatísticas, conduzidas no RStudio, incluíram os testes de Shapiro-Wilk, ANOVA de duas vias e correlações de Spearman. Os resultados indicaram diferenças significativas entre órgãos e praias para a maioria dos parâmetros, com exceção do H₂O₂, que apresentou apenas interação órgão–praia. Entre os metais, destacaram-se maiores concentrações de arsênio nas glândulas digestivas da Praia Vermelha (4,92 ± 1,91 mg kg⁻¹) e menores nas brânquias da Urca (0,99 ± 0,71 mg kg⁻¹). O cádmio apresentou valores mais elevados nas glândulas digestivas do Arpoador (0,11 ± 0,20 mg kg⁻¹) e menores no músculo da Urca (0,02 ± 0,003 mg kg⁻¹). O chumbo atingiu concentrações máximas nas glândulas digestivas (0,68 ± 0,16 mg kg⁻¹) e mínimas no músculo da Urca (0,06 ± 0,02 mg kg⁻¹). Quanto aos biomarcadores, a MT variou de 0,007 μmol g⁻¹ (brânquias, Vermelha) a 0,051 μmol g⁻¹ (gônadas, Urca). O H₂O₂ variou entre 0,20 μmol g⁻¹ (músculo, Arpoador) e 2,01 μmol g⁻¹ (brânquias, Urca). A GSH apresentou valores de 0,15 μmol g⁻¹ (brânquias, Arpoador) a 2,45 μmol g⁻¹ (glândulas digestivas, Vermelha). A PL variou de 0,0002 μmol mg⁻¹ proteína (músculo da Urca) a 0,04 μmol mg⁻¹ proteína (brânquias do Diabo). As correlações mais expressivas incluíram: As e Cd em brânquias e glândulas digestivas (r = 0,714–0,833), Cd e Pb no músculo (r = 0,976), MT e As em músculo e brânquias (r = 0,905), As e GSH (r = 0,905), e Cd e PL (r = 0,881). Esses dados sugerem acúmulo preferencial de As no glândula digestiva e brânquias, além de Cd e Pb no músculo, indicando ainda a participação da MT e da GSH na detoxificação celular. O estudo reforça o papel dos mexilhões como bioindicadores, evidenciando padrões diferenciados de contaminação entre praias avaliadas e destacando potenciais riscos à saúde ambiental e humana.
OLANIRAN, E. I.; SOGBANMU, T. O.; SALIU, J. K. Biomonitoring, physico-chemical, and biomarker evaluations of abattoir effluent discharges into the Ogun River from Kara Market, Ogun State, Nigeria, using Clarias gariepinus. Environmental Monitoring and Assessment, v. 191, n. 1, p. 1-17, 2019. AGNAOU, M. et al. The use of brown mussel as bioindicator of pesticides pollution in Agadir Bay (Southern Morocco). Tropical Ecology, p. 1-15, 2024. GALVÃO, P. M. A. et al. Bioacumulação de metais pesados em moluscos bivalves: aspectos evolutivos e ecológicos a serem considerados para a biomonitoração de ambientes marinhos. Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology, v. 13, n. 2, p. 59-66, 2009.