ENTRE LIMITES E POTENCIALIDADES: CURADORIA COMPARTILHADA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL NO MUSEU DE ARTE DO RIO

BÁRBARA XAVIER DE ARAÚJO

Apresentador(es): BÁRBARA XAVIER DE ARAÚJO

Orientador(es): JULIA NOLASCO LEITÃO MORAES


Área temática: MUSEOLOGIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC - AF


Resumo

Os museus contemporâneos enfrentam desafios ao promover processos participativos que ampliem escuta, representatividade e construção coletiva de narrativas. Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar práticas de participação dos públicos em exposições no Museu de Arte do Rio (MAR). Parte-se da compreensão de que a participação não é homogênea, mas se manifesta em diferentes situações e níveis, de acordo com fatores institucionais, sociais e políticos, exigindo investigação sobre contextos, tensões e limites. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise documental (relatórios de gestão e plano museológico), acompanhamento de iniciativas institucionais e monitoramento de práticas participativas em redes sociais, em especial Instagram e YouTube, além de observações em exposições e atividades mediadas pelo MAR, como a Escola do Olhar e o programa Vizinhos do MAR. Essa combinação de métodos permitiu compreender como os processos participativos vêm sendo estruturados e quais estratégias têm sido usadas para ampliar o envolvimento dos públicos. Como resultado parcial, verificou-se que o MAR busca, desde 2017, articular práticas curatoriais mais colaborativas, exemplificadas em mostras como “Dja Guata Porã: Rio de Janeiro Indígena” e “Funk: um grito de ousadia e liberdade”. Contudo, tais experiências revelam contradições, considerando que curadoria compartilhada é um termo guarda-chuva, com significados diversos e diferentes modalidades de participação. Embora registros institucionais apontem para ampliação da escuta, persiste a incerteza sobre o real alcance das decisões conferidas aos atores externos. Cabe questionar: a participação ocorre em etapas estruturantes, guiadas pela autorrepresentação, como seleção de obras, elaboração de textos ou definição de direitos, ou se restringe a consultorias pontuais e presenças legitimadoras em eventos já delineados pela instituição? Nesse cenário, emerge o risco de cooptação e extrativismo, em que produções autônomas são absorvidas e exibidas sem efetiva redistribuição de poder ou retorno às comunidades representadas. A análise evidenciou que tais iniciativas, apesar de relevantes, frequentemente se limitam a etapas de consulta ou colaboração pontual, sem se consolidarem como políticas estruturantes de médio e longo prazo. Conclui-se que a participação dos públicos em exposições é um campo em expansão, complexo e atravessado por negociações, disputas e limitações institucionais. Pretende-se aprofundar a investigação por meio de entrevistas com profissionais e colaboradores envolvidos, para compreender de modo mais amplo os alcances e fragilidades dos diferentes modelos de práticas participativas no contexto museal brasileiro.

Bibliografia

CURY, Marília Xavier. Política de gestão de coleções: museu universitário, curadoria indígena e processo colaborativo. Revista CPC, v. 15, n. 30esp, p. 165-191, 2020. SARRAF, Viviane Panelli; BRUNO, Maria Cristina Oliveira. Curadorias acessíveis: participação e acesso ao patrimônio cultural. In: SEMINÁRIO BRASILEIRO DE MUSEOLOGIA, 2., 2015, Recife. Anais [...]. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2015. p. 34-53. MORAES, Julia Nolasco Leitão de. A dimensão pública dos museus diante do horizonte da participação dos públicos na musealização. In: XXII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2022, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: ENANCIB, 2022.

Palavras-chave

Curadoria compartilhada em museus; Participação social em museus; Auto Representação; Mediação cultural
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