AVALIAÇÃO EMBRIOTOXICOLÓGICA DE CAFEÍNA USANDO ZEBRAFISH (DANIO RERIO) COMO MODELO IN VIVO

THIAGO DOS SANTOS CABRAL ROCHA

Apresentador(es): THIAGO DOS SANTOS CABRAL ROCHA

Orientador(es): BEATRIZ FERREIRA DE CARVALHO PATRICIO


Área temática: BIOLOGIA MOLECULAR E CELULAR

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A cafeína é um alcaloide natural amplamente consumido, presente em produtos como café, chá, cacau e guaraná. Seus efeitos estimulantes sobre o sistema nervoso central justificam o uso frequente para melhorar o estado de alerta, desempenho físico e funções cognitivas. Entretanto, apesar de seu consumo moderado ser considerado seguro, a cafeína, em doses elevadas, pode induzir efeitos adversos como taquicardia, arritmias, ansiedade, insônia e irritabilidade, além de potencialmente afetar o desenvolvimento embrionário e processos celulares fundamentais. Ainda que amplamente utilizada, seus impactos em organismos em formação não são totalmente esclarecidos, o que reforça a necessidade de modelos alternativos que permitam avaliar riscos toxicológicos. Seu uso moderado é considerado seguro, mas concentrações elevadas podem induzir efeitos adversos, sobretudo em populações vulneráveis. Com base nisso, este estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade da cafeína durante o desenvolvimento embrionário do zebrafish (Danio rerio), modelo in vivo reconhecido pela OECD para estudos toxicológicos. Embriões foram submetidos ao Teste de Toxicidade em Embriões de Peixe (FET Test), expostos a concentrações crescentes de cafeína (0,8; 4; 20; 100 e 500 mg/L) e analisados quanto à mortalidade, frequência cardíaca, crescimento, diâmetro ocular e ocorrência de malformações. Os resultados revelaram que concentrações a partir de 20 mg/L induziram alterações morfológicas, incluindo atraso no desenvolvimento, edema, vitelo inchado, olhos malformados e hemorragias. A dose de 100 mg/L apresentou o maior número e diversidade de malformações, enquanto a de 500 mg/L resultou em 100% de mortalidade em 96 horas pós-fecundação (hpf). Adicionalmente, observou-se aumento significativo da frequência cardíaca nas doses de 4 a 100 mg/L, bem como alterações no crescimento corporal e no diâmetro ocular, indicando comprometimento fisiológico. A dose letal 50 (DL₅₀) foi estimada em 145,9 mg/L, confirmando a toxicidade significativa em concentrações elevadas. Os achados demonstram que a cafeína exerce efeitos tóxicos em organismos em desenvolvimento de forma dose-dependente, mesmo em níveis abaixo da dose letal, ressaltando a necessidade de investigações adicionais sobre seus impactos em estágios iniciais da vida e de maior cautela quanto ao consumo excessivo em contextos terapêuticos ou por populações sensíveis.

Bibliografia

1. OECD. Test No. 236: Fish Embryo Acute Toxicity (FET) Test. OECD Guidelines for the Testing of Chemicals, Section 2. OECD Publishing, Paris; 2013. 2. Thölke, P., Arcand-Lavigne, M., Lajnef, T. et al. Caffeine induces age-dependent increases in brain complexity and criticality during sleep. Commun Biol 8, 685 (2025). https://doi.org/10.1038/s42003-025-08090-z. 3. Nehlig A. Is caffeine a cognitive enhancer? J Alzheimers Dis. 2010;20 Suppl 1:S85-94. doi: 10.3233/JAD-2010-091315. PMID: 20182035

Palavras-chave

Cafeína Toxicologia Embriologia Zebrafish
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