Orientador(es): JOSE FERNANDO GUEDES CORREA
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
s lesões traumáticas da medula espinhal representam um grave problema de saúde pública, com repercussões físicas, emocionais, sociais e econômicas. Por isso, em condições como a tetraplegia, a compreensão detalhada da anatomia oferece subsídios para o planejamento de intervenções que possam devolver movimentos essenciais ao indivíduo. A motivação central desta pesquisa foi, portanto, contribuir para o aprimoramento das técnicas cirúrgicas de neurotização por meio do estudo anatômico-cirúrgico de nervos de relevância clínica, ampliando o potencial de recuperação funcional e a melhoria da qualidade de vida em pacientes tetraplégicos. O objetivo do trabalho foi estudar a anatomia cirúrgica do ramo do nervo musculocutâneo, responsável pela inervação do músculo braquial, caracterizando o número de ramos, seu comprimento, diâmetro e relações anatômicas, além da comunicação com o nervo mediano. Esse estudo complementa a análise anterior sobre o nervo interósseo anterior, permitindo avaliar a viabilidade da transferência nervosa entre essas estruturas. A metodologia envolveu inicialmente a revisão bibliográfica sobre a anatomia dos nervos e técnicas de transferência. Em seguida, foram dissecados dez membros superiores de cadáveres adultos formalizados, no anatômico do Instituto Biomédico da UNIRIO. Foram registradas variáveis como sexo, lateralidade, origem, curso e distribuição dos nervos. As medições das estruturas foram realizadas com o uso de paquímetro digital e os dados coletados foram organizados, analisados e confrontados com a literatura científica, fornecendo subsídios para a escrita final. Os resultados evidenciaram ampla variabilidade anatômica do nervo musculocutâneo. Entre as peças analisadas, predominou o padrão de ramificação do tipo II em 60% dos casos, enquanto 20% corresponderam ao tipo I e apenas um espécime apresentou o tipo III, com anastomose ao nervo mediano. A comunicação entre o musculocutâneo e mediano esteve presente em 40% das dissecções, índice superior ao encontrado em meta-análises, mas em consonância com estudos cadavéricos anteriores. O comprimento dos ramos motores variou entre 73,19 mm e 128,51 mm e o diâmetro entre 0,65 mm e 1,56 mm, confirmando heterogeneidade anatômica relevante para a prática cirúrgica. Esses achados reforçam a necessidade de planejamento individualizado em transferências nervosas, uma vez que variações estruturais podem influenciar diretamente o êxito clínico. Como considerações finais, destaca-se que os dados obtidos ampliam o conhecimento sobre a anatomia do nervo musculocutâneo e sua aplicabilidade em transferências para o nervo interósseo anterior, possibilitando a restauração da flexão do cotovelo em pacientes tetraplégicos. Trabalhos futuros com amostras maiores e utilização de cadáveres frescos poderão aprofundar o entendimento das variações anatômicas e otimizar protocolos cirúrgicos, consolidando ainda mais a relevância da transferência nervosa como alternativa terapêutica.
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