Orientador(es): TAIS VERONICA CARDOSO VERNAGLIA
Área temática: ENFERMAGEM
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Os transtornos mentais representam um dos principais desafios de saúde pública, devido às elevadas taxas de morbidade, incapacidade e mortalidade, intensificadas pela pandemia de COVID-19, que ampliou os índices de ansiedade, depressão e estresse na população geral e entre profissionais da saúde. Nesse cenário, o Brasil, a partir da Reforma Psiquiátrica, propôs a substituição do modelo biomédico hospitalocêntrico por um cuidado em liberdade, com foco na autonomia e na dignidade do sujeito, em consonância com práticas que valorizam as tecnologias leves, como o acolhimento, o vínculo e a corresponsabilização, fundamentais para a humanização da atenção em saúde mental. O presente trabalho teve como objetivo identificar evidências científicas sobre a utilização dessas tecnologias por profissionais de saúde no cuidado em saúde mental. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão de escopo, conduzida segundo o método do Joanna Briggs Institute e as diretrizes do PRISMA-ScR. A estratégia de busca contemplou bases nacionais e internacionais, como PubMed, CINAHL, Scopus, Embase, PsycInfo, LILACS e SciELO, sem restrição de idioma ou temporalidade. Foram identificados 743 estudos, dos quais 10 atenderam aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final. Os resultados evidenciam que o uso das tecnologias leves favorece a construção de relações terapêuticas, fortalece a adesão ao tratamento e contribui para a reabilitação psicossocial, especialmente em dispositivos como os Centros de Atenção Psicossocial. Também se observou que desafios como as desigualdades regionais, o estigma social e a manutenção de modelos biomédicos ainda dificultam a consolidação de uma atenção integral e humanizada. Considera-se que a incorporação efetiva dessas tecnologias exige investimento na formação profissional, na valorização das práticas relacionais e no fortalecimento dos princípios da Reforma Psiquiátrica e do modelo antimanicomial. Conclui-se que ampliar a produção científica e o debate sobre o tema é essencial para consolidar práticas de cuidado singular, humanizado e transformador no campo da saúde mental, além de subsidiar políticas públicas e novos estudos que aprofundem a discussão.
ARAÚJO, T. M.; TORRENTÉ, M. O. N. Saúde Mental no Brasil: desafios para a construção de políticas de atenção e monitoramento de seus determinantes. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 32, n. 1, p. e2023098, 2023. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde,2017. [Acesso em maio de 2024]. Disponível em:http://www.abp.org.br/portal/wpcontent/upload/2017/12/PoliticaNaciona ldeSaudeMental_Apresentacao.pdf