CENA VIVA E EXPANDIDA: UM LABORATÓRIO EXPERIMENTAL SOBRE AS AÇÕES FÍSICAS EM UMA ENCENAÇÃO INTERMÍDIA.

PEDRO DANILO ROMA LEITE SANTOS

Apresentador(es): PEDRO DANILO ROMA LEITE SANTOS

Orientador(es): VINICIUS ASSUNÇÃO ALBRICKER


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Motivação/Contexto da pesquisa Cena expandida é um termo utilizado no teatro para designar uma zona de criação em que duas ou mais linguagens artísticas se misturam, causando a indefinição de suas fronteiras e produzindo uma terceira: um híbrido, que não é nem uma, nem outra (Monteiro, 2011). Durante o período pandêmico, o audiovisual passou a ganhar ainda mais visibilidade. Além do avanço das redes sociais e dos streamings, o teatro encontrou nas peças gravadas uma possibilidade de sobrevivência, e a interseção entre narrativas audiovisuais e teatrais entrou em voga. Nesse sentido, desponta a seguinte questão: os elementos da cena expandida poderiam atuar como parceiros de cena, contribuindo para uma atuação cênica viva? Como ponto de partida conceitual sobre o vivo na cena, consideram-se: a ação física (Stanislávski, 2017), que consiste em uma tarefa objetivada e transformadora que o ator realiza dentro das circunstâncias propostas; o alvo transformador (Donnellan, 2023), elemento que desencadeia um jogo de reações cênicas; e a tríade especificidade, exterioridade e transformação (Albricker, 2024), que fundamenta o fenômeno da vida na atuação. Objetivo do trabalho Propor reflexões sobre as possíveis relações entre a cena expandida e as ações físicas vivas e elaborar um espetáculo teatral experimental que explore a interseção das linguagens audiovisual e teatral, considerando o escopo conceitual da pesquisa. Metodologia Foram lidos e fichados os textos basilares da pesquisa, como Trabalhar com Grotowski sobre as ações físicas (Richards, 2012), e um laboratório experimental foi conduzido pelo bolsista, com a participação de dez alunos-pesquisadores, a fim de explorar as possibilidades práticas das conexões entre a cena expandida e as ações físicas. Além disso, o bolsista participou ativamente das disciplinas de “Teatro-Dança e Multimídia” e “Teatro e Cinema”, que possuem como cerne o diálogo entre teatro e outras linguagens. No segundo semestre, foi realizada uma adaptação dramatúrgica de A Gaivota, de Anton Tchekhov, especificamente pensada para explorar o uso de câmeras e de projeções audiovisuais em cena, dentro de um jogo de ações físicas vivas. A partir dessa adaptação, foi conduzido um processo criativo de construção de um espetáculo teatral híbrido. Resultados Foi escrita uma adaptação dramatúrgica e encenado o espetáculo intitulado Página 121, com estréia marcada para 06 de outubro de 2025, na Sala Paschoal Carlos Magno da UNIRIO. Foram produzidos 11 fichamentos de toda a bibliografia referencial da pesquisa, um relatório parcial após o primeiro semestre de pesquisa e dois diários de bordo referentes às disciplinas de “Teatro-Dança e Multimídia” e “Teatro e Cinema”. Mais de oito horas de registros audiovisuais de todo o processo, desde o Laboratório Experimental – com registros das cenas exploradas, dos aquecimentos e das discussões teóricas sobre os textos estudados – até os ensaios da prática de montagem, englobando registros de marcações de cena, de experimentações com cenário, figurino, luz e projeção audiovisual.

Bibliografia

ALBRICKER, Vinicius. Variações rítmicas vivas na atuação cênica. São Paulo: Perspectiva e CLAPS, 2024; DONNELLAN, Declan. O ator e o alvo. Trad. Luiz Otavio Carvalho e Vinicius Albricker. São Paulo: Via Lettera, 2023; MONTEIRO, Gabriela Lírio Gurgel. Cinema e teatro: interfaces. Revista Concinnitas, Rio de Janeiro, v. 2, n. 19. 2011. P. 146-154. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/concinnitas/article/view/15257> (último acesso em 19/09/2025); RICHARDS, Thomas. Trabalhar com Grotowski sobre as ações físicas. Trad. Patricia Furtado de Mendonça. São Paulo: Perspectiva, 2012; STANISLÁVSKI, Konstantin. O trabalho do ator: diário de um aluno. Trad. Vitória Costa. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

Palavras-chave

Cena expandida Ação Física Intermidialidade
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