Orientador(es): LEA VELOCINA VARGAS TIRIBA
Área temática: EDUCAÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Este trabalho tem como foco a Educação Infantil sob a perspectiva biocêntrica, buscando compreender como os espaços escolares podem ser repensados para fomentar a conexão com a natureza, cultivar a consciência ecológica através de vivências. A motivação surge diante de um cenário marcado pela emergência climática e a desconexão crescente entre o ser humano e a natureza. Em contexto de escolas urbanas, prevalece o modelo europeu que controla os corpos e afasta as crianças dos ambientes naturais. Em contrapartida, práticas pedagógicas inspiradas em saberes indígenas valorizam a liberdade, o respeito e o pertencimento à Terra. O objetivo desta pesquisa é investigar de que forma os espaços educativos podem se constituir como territórios de biofilia, de autonomia, superando práticas disciplinares que limitam a mobilidade e o contato com a natureza. Para isso, foram desenvolvidas oficinas-brincaças fundamentadas em metodologias decoloniais teórico-brincantes, articuladas com a revisão bibliográfica nos campos da Educação Infantil, da Educação Indígena e da Antropologia da Criança, além da análise de registros fotográficos e videográficos de práticas educativas em espaços externos da Creche Oka Katuana, do povo Tupinambá na Bahia. Os resultados alcançados apontam que nas comunidades indígenas as crianças são reconhecidas como participantes ativas da vida social, exercendo voz e papel significativo na coletividade ao contrário do modelo urbano, em que predominam espaços fechados, rotinas controladas e currículos rígidos. As Brincanças acontecem no espaço externo da escola, na horta e no pátio de pedras ou no pátio de cimento, coberto, em dias de chuva. As turmas se misturam, as crianças brincam com quem e do quê desejam, tudo é brinquedo e elas constroem suas brincadeiras. Na terra tem cozinha, tem música, tem pintura, tem construção, tem o que cabe na imaginação. Ali elas aprendem e ensinam, como fazer chocalho e quais folhas podemos comer. Os registros analisados demonstraram ainda que, quando têm a possibilidade de brincar sem restrições, as crianças escolhem as árvores, a terra e as plantas, querem conversar, ensinar e criar, seja na horta, no quintal ou no pátio, eles sempre optam pela liberdade de brincar com outros, humanos e não humanos. Essas análises reforçam a urgência de romper com modelos eurocêntricos de escola e de valorizar perspectivas decoloniais que reconheçam a infância como tempo de liberdade, experimentação e contato direto com a natureza. Incorporar tais princípios à educação infantil exige rever políticas curriculares e transformar a organização dos espaços escolares: substituir a lógica do controle por outra que reconheça as crianças como herdeiras de saberes antigos e como parte da Terra. Nesse sentido, as brincadeiras nos espaços externos podem se constituir como fonte de sentimentos de solidariedade e companheirismo: transformando o espaço escolar em um lugar de vida e convivências plurais.
SANTOS, Antônio Bispo; PEREIRA, Santídio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023. TASSINARI, Antonella. Concepções da Infância no Brasil. Campo Grande: Tellus, p.11-25,2007. TIRIBA, Lea; VOLLGER, Amanda; PEREIRA, Jéssica. Buscando inspiração nos povos indígenas brasileiros para educar as crianças em conexão com a Terra. REMEA - Revista eletrônica do mestrado em educação ambiental, v.38, n.3, p.98-116, 2021.