TEATRO DO OPRIMIDO, JOGOS TEATRAIS E ENSAIOS SOBRE A AUTONOMIA

NICOLE ALICE CARVALHO DE SOUZA

Apresentador(es): NICOLE ALICE CARVALHO DE SOUZA

Orientador(es): VIVIANE BECKER NARVAES


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A pesquisa parte do questionamento acerca do potencial dos jogos teatrais do Teatro do Oprimido na criação de espaços de confiança, autonomia e transformação social para jovens em situação de privação de liberdade. Considerando a relevância do teatro enquanto prática pedagógica, política e estética, buscou-se compreender como tais jogos podem promover impactos positivos na autoestima, na expressão subjetiva e na construção coletiva de novas narrativas e possibilidades de autonomia para corpos historicamente marginalizados. O trabalho teve como objetivos a investigação, catalogação e aplicação de jogos teatrais de Augusto Boal e de autoras e autores que dialogam com sua obra, visando a utilização destes para abordar discussões sobre violências ligadas a gênero, sexualidade e privação de liberdade, bem como criar estratégias coletivas para lidar com tais opressões. A metodologia utilizada consistiu em pesquisa bibliográfica, categorização dos jogos e realização de oficinas teatrais continuadas no Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa (CENSE PACGC), vinculado ao DEGASE-RJ, por meio do Programa de Extensão Cultura na Prisão. Os encontros foram estruturados nas seguintes etapas: recepção, afirmação de identidade, confiança, coesão grupal, criação de ações, fóruns de debate e finalização. A título de exemplo, categorizei como afirmação de identidade, o jogo: “Obrigada, Fulane!”. Esse é um dos jogos que trabalha a expressão dos nomes pelos quais as pessoas participantes se identificam e os outros participantes do grupo repetem esse nome e também tem os seus próprios nomes verbalizados. Considero esse um exemplo de jogo de afirmação de identidade pois muitas vezes jovens na socioeducação não tem seus nomes sociais respeitados. Durante o processo, foram observados impactos significativos no engajamento, no respeito coletivo e no fortalecimento da identidade dos participantes. Entre os resultados, destacam-se a ampliação do sentimento de pertencimento, a valorização da expressão autêntica, a abertura para diálogos sobre gênero e sexualidade e a criação de redes de solidariedade entre jovens em privação de liberdade. As oficinas revelaram também a necessidade de flexibilidade pedagógica, dada a imprevisibilidade dos contextos socioeducacionais. A pesquisa realizada evidenciou que o Teatro do Oprimido pode ser um dispositivo potente para fomentar autonomia, autoestima e transformação social em ambientes de encarceramento, além de apontar para a importância de sua continuidade em políticas culturais e educacionais na socioeducação.

Bibliografia

BOAL, Augusto. Jogos para atores e não-atores. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas. 6 ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1991. SANCTUM, Flávio; SARAPECK, Helen. Teatro do Oprimido & Outros Babados: A Diversidade Sexual em Cena. Rio de Janeiro: Metanoia Editora, 2015.

Palavras-chave

Teatro do Oprimido Socioeducação Autonomia Jogos teatrais Corpos marginalizados
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